Capítulo 9 · 16 min de leitura
Unção
No capítulo dois, defini a unção como Deus colocando o Seu selo, a Sua aprovação sobre uma pessoa ou um ministério, de modo que haja um impacto eterno na vida daqueles a quem se ministra.
Não há dúvida de que Ele unge alguns ministérios e resultados surpreendentes são vistos, os quais nenhum homem poderia ter arquitetado. Neste momento (em 1999), por exemplo, está acontecendo uma Caminhada de Reconciliação, na qual pequenos grupos de crentes estão refazendo os passos que os cruzados deram novecentos anos atrás. Aqueles primeiros cristãos são lembrados pelo assassinato, pelo estupro e pelo roubo que praticaram em sua marcha pela Europa, a caminho de Jerusalém, para libertar a Cidade Santa dos muçulmanos.
Quase todo muçulmano ou judeu que conseguiam capturar era morto. Eles semearam as sementes do ódio e do mal-entendido que o muçulmano de hoje tem para com o cristão. Os peregrinos dos dias atuais têm um propósito bem diferente. Aonde quer que vão, aproximam-se dos líderes muçulmanos com um pedido de desculpas por escrito, que é lido em árabe, inglês e no idioma local. Não há condições atreladas, apenas uma humilde identificação e o reconhecimento dos erros cometidos há tanto tempo sob o estandarte da cruz. No fim de 1999, esperam chegar a Jerusalém com a sua mensagem de arrependimento e reconciliação.
A resposta dos imãs e dos líderes das mesquitas tem sido de espanto e aceitação; alguns até comparam a vinda desses cristãos a uma epifania — uma visitação pública de Deus ao Seu povo. Jornais nacionais, televisão e rádio levaram muitas reportagens positivas a todo o povo de seus países.
Há homens e mulheres cujos nomes estão associados a esse evento maravilhoso, mas todos fazem questão de permanecer em segundo plano enquanto Deus move o coração dos povos muçulmanos da Europa. Verdadeiramente a Sua unção está sobre esse ministério.
Tenho certeza de que você também consegue pensar em ministérios nos quais o agrado de Deus é evidente e onde um grande impacto eterno está sendo feito. Contudo, há tantos outros programas, gerados não no coração de Deus, mas na mente do homem. Quem os inicia pode ser sincero e dedicado em seu compromisso com essa obra — e Deus pode conceder certa medida de êxito para honrar a sua fidelidade —, mas há pouca ou nenhuma unção. Já fiz parte, inclusive, de grandes ministérios nos quais vi tantos exemplos de conduta antiética e pensamento humanista, tudo em nome da promoção do Evangelho.
Pressão política era exercida sobre as pessoas, empregos eram ameaçados, circunstâncias eram manipuladas, meias-verdades eram ditas (elas não são diferentes de mentiras!), tudo para que pudéssemos dar continuidade ao nosso programa sem muitos percalços. Almas eram salvas — não é maravilhosa a graça de Deus? —, mas então os homens acreditavam que os fins justificavam os meios e continuavam a planejar o programa seguinte sobre o mesmo alicerce instável. Quanto mais da graça de Deus poderíamos ter visto se tivéssemos mantido integridade e humildade diante dEle?
Há muitas pessoas hoje com grandes ‘ministérios’ que teriam tido igual sucesso se tivessem iniciado um negócio secular. O ministério é edificado sobre o carisma ou a perspicácia comercial delas, e não sobre os carismas e a unção de Deus. Certamente essa é uma das principais razões pelas quais tantos em nossas igrejas são superficiais em sua fé e deixam de ser os vencedores que Jesus nos chama, e espera, a ser; por que tantas igrejas e pastores estão em dificuldade e por que as portas do Inferno prevalecem contra grande parte daquilo que chamamos de igreja; por que tão pouco impacto é feito sobre o pensamento humanista e secular de nossos governos.
Precisamos desesperadamente de homens, mulheres e programas com a unção de Deus. Por que Ele haveria de ungir programas que não iniciou e pessoas que não capacitou nem enviou ao ministério no qual estão envolvidas? Ele colocou um fardo em pessoas, capacitou-as e está esperando que sejam enviadas ao Seu ministério, para que possa demonstrar a Sua glória por meio delas em grande unção.
Às vezes não são os leigos que precisam ser enviados, mas o clero!
Visitei a casa de Jim e Cathy, um jovem casal em Queensland, na Austrália. Jim era consultor de pequenas empresas que pensavam em expandir e que precisavam de uma visão especializada sobre os perigos potenciais de tal passo. Ele me contou como, por alguns anos, haviam enfrentado dificuldades financeiras, pois algumas empresas não o contratavam por causa de sua recusa em se envolver em ‘untar a mão’ dos diretores das companhias. Jim e Cathy frequentavam uma igreja cuja frequência raramente passava de quarenta pessoas.
Certo ano, ele e o seu pastor fizeram uma viagem missionária a Papua-Nova Guiné, a nação subdesenvolvida mais próxima, ao largo da costa nordeste da Austrália. Ao voltar para casa, Jim estava exultante ao contar as histórias de como o Senhor havia ungido o ministério deles, especialmente o do seu pastor.
“Cathy”, disse ele, “o nosso pastor teve uma grande unção sobre si ao ministrar ao povo de Papua-Nova Guiné. O Espírito do Senhor o usou maravilhosamente, e muitas pessoas chegaram à fé em Cristo. Precisamos enviá-lo para lá com mais frequência, mas sei que ele não tem como pagar, e a igreja também não pode no momento. Será que conseguimos esticar a nossa renda para guardar algum dinheiro todo mês, a fim de formar um fundo para enviar o pastor em viagens missionárias com mais frequência?”
Foi o que concordaram em fazer. Enviariam o seu pastor ao ministério que lhe fora designado. Quando Jim me contou essa história um ano depois, acrescentou um adendo surpreendente. Naquele único ano, o seu negócio havia recebido uma renda dez vezes maior do que a de qualquer ano anterior, e não só puderam enviar o seu pastor algumas vezes a Papua-Nova Guiné, como também financiar várias outras pessoas da igreja para acompanhá-lo no ministério!
A carga de trabalho de Jim continuou exatamente a mesma, mas as empresas que agora o contratavam pagavam comissões muito maiores do que ele jamais recebera. Deus não estava ungindo apenas o ministério do pastor deles; estava também ungindo o ministério de Jim e Cathy de ‘dar com liberalidade’. Talvez Jim nunca venha a ser pregador ou evangelista, mas ele encontrou o seu ministério e está profundamente realizado, voando como a águia.
A história foi ainda mais surpreendente na vez seguinte em que visitei Jim e Cathy. Ele me contou como a sua renda dobrara a cada ano desde que estive lá, de modo que agora recebia oito vezes o que ganhava antes. “Contudo”, acrescentou, “você vai notar que ainda moro na mesma casa e tenho o mesmo carro (pequeno) na garagem. Isso porque, nos últimos quatro anos, enviamos cada membro da nossa igreja ao campo missionário, alguns várias vezes. Por que haveríamos de querer uma casa maior ou um carro melhor, quando estamos nos divertindo tanto ao servir ao Senhor?”
Jesus foi ‘nascido do Espírito Santo’, diferentemente de qualquer um de nós, que precisamos ‘nascer de novo’ desse mesmo Espírito, para que nós, como Ele, possamos ser chamados filhos de Deus. O Espírito de Deus habitava no homem Jesus.
Verdadeiramente Ele era o Filho de Deus encarnado. O Verbo (a revelação que Deus faz de Si mesmo) se fizera carne e habitara entre nós. Certo dia, Jesus foi ter com o seu primo João, que batizava as pessoas no Jordão. O batismo de João não era de regeneração, nem de confissão pública de fé, mas de arrependimento e de retorno à ortodoxia da Lei.
“Batize-me, João”, disse Jesus.
“Não posso batizá-lo, Jesus. É você quem deve me batizar!”, disse João.
“Batize-me, João”, disse Jesus novamente, “para que toda a justiça seja cumprida.”
Então João o batizou.
“E o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de pomba, e uma voz veio do Céu: ‘Tu és o meu Filho amado; em ti me comprazo.’”
Imediatamente Ele foi conduzido pelo Espírito ao deserto, onde passaria quarenta dias silenciosos. São silenciosos apenas no sentido de que não temos registro do que aconteceu até que Ele é tentado por Satanás ao fim desse tempo. A especulação não faz mal, a menos que a transformemos em doutrina, mas muitas vezes me perguntei por que o Espírito Santo o conduziria dessa forma.
Cheguei a crer que os quarenta dias foram passados em comunhão com o Seu Pai, onde Ele aprendeu sobre o caminho que estava diante de Si, a jornada por meio do Getsêmani e do Calvário, a única que poderia comprar a nossa redenção. Ali Lhe foi dado o Seu ministério.
Ao voltar para a sua cidade natal, Nazaré, Jesus entrou na sinagoga, tomou as Escrituras e leu: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para pregar o evangelho aos pobres. Enviou-me a proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.”
...e isso Ele começou a fazer. Não permitiu que O desviassem as exigências e os desejos dos outros.
Quando João foi lançado nas masmorras sob o palácio de Herodes, esperava que o seu primo Jesus fizesse algo a respeito. Afinal, não iria Ele estabelecer o Seu reino na terra?
Não iria Ele derrubar o Império Romano com os seus Herodes? Não iria libertar os cativos? Após pouco tempo, tornou-se evidente ao Batista que Jesus não viria — na verdade, Ele nem sequer enviou um cartão de ‘saia logo’ ao seu parente preso! João chamou alguns dos seus próprios discípulos e pediu-lhes que procurassem Jesus e, ao encontrá-Lo, Lhe fizessem esta pergunta: “És tu, de fato, o Messias, ou devemos esperar outro?”
João realmente deve ter ficado irritado com a aparente falta de preocupação de Jesus, pois ninguém poderia estar mais convencido do que o próprio João de que Jesus é o Messias. Ele havia profetizado, havia visto a pomba e ouvido a voz que assim O declarava. Observe a resposta que Jesus enviou a João.
“Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o Evangelho.
...e bem-aventurado é aquele que não se escandalizar de mim!”
Em outras palavras: “Estou fazendo exatamente aquilo para o qual fui chamado, capacitado e ungido!”
Se Jesus precisou ser ungido para realizar o Seu ministério, quanto mais nós?
Ele foi cheio do Espírito Santo desde o nascimento, mas precisou da unção do Espírito antes de iniciar o Seu ministério!
Há uma grande diferença entre essas duas experiências do Espírito Santo, e a nossa falta de compreensão disso enfraquece o ministério do Corpo de Cristo.
No Novo Nascimento, fomos ‘batizados pelo Espírito no Corpo de Cristo’. Isso aconteceu pela primeira vez com os discípulos três dias após o Calvário, quando Jesus veio a eles numa sala trancada e soprou sobre eles, dizendo: “Recebei o Espírito Santo!” (no grego, tempo imperativo aoristo, exigindo efeito imediato). Eles foram ‘nascidos de novo’, assim como eu fui quase dois milênios depois, aos dezessete anos, quando o mesmo Espírito Santo entrou na minha vida. É isto que chamamos de justificação.
João falou ao povo de alguém que viria depois dele e que os batizaria com o Espírito Santo e com fogo. Essa fora a promessa do Pai à qual Jesus se referiu ao instruir os Seus discípulos a “permaneçam na cidade até que sejam revestidos de poder do alto”. Isso aconteceu pela primeira vez no dia de Pentecostes, sete semanas após o Calvário, quando os cento e vinte reunidos no Cenáculo foram poderosamente revestidos de poder ao serem batizados no Espírito Santo pelo Jesus glorificado. Esse batismo é feito por Jesus, no Espírito Santo. Claramente as Escrituras falam de duas experiências diferentes.
É a vontade de Deus que todo crente seja cheio do Espírito. Isso é tanto uma experiência de crise quanto uma experiência contínua, posterior à conversão.
Somos exortados pelo apóstolo Paulo, em Efésios 5:18, a ‘continuai a encher-vos do Espírito’. Evidentemente, embora o batismo (o enchimento inicial) do Espírito Santo seja um ato soberano do Senhor, nós somos responsáveis pelo enchimento contínuo. Há algo que podemos fazer.
Paulo prossegue com o que são três evidências da vida cheia do Espírito: v.19: uma atitude de adoração; v.20: uma atitude de gratidão; v.21: uma atitude de servo.
O restante do capítulo 5 e a maior parte do 6 são exemplos de como viver essa vida cheia do Espírito em nossos relacionamentos com cônjuges, filhos e colegas de trabalho.
Infelizmente, temos confundido esse enchimento (ou batismo) com o Espírito Santo com a unção do Espírito. O primeiro é um enchimento — dentro de você; a segunda é um revestimento de poder — sobre você. O primeiro é a capacitação em preparação para o serviço; a segunda vem depois do envio ao serviço. O primeiro agora depende de nossas atitudes e abertura; a segunda continua sendo soberana.
Há hoje um movimento na igreja para reconhecer novamente os dons ministeriais dos tempos do Novo Testamento, tais como o apóstolo e o profeta. Não tivemos dificuldade em chamar homens de evangelistas, pastores ou mestres, mas esses outros dois, registrados em Efésios 4, nos causaram um pouco mais de preocupação. Creio que esses ministérios devem estar presentes na igreja e ser evidentes por sua unção.
Infelizmente, porém, estive presente com demasiada frequência em ocasiões em que um pregador terminava o seu tempo no púlpito falando publicamente, dirigindo profecias futuristas a indivíduos da congregação. Muitas delas jamais se cumpriram, e ninguém responsabilizou o profeta por suas declarações erradas. Como pastor, tive de lidar com várias situações tristes ocasionadas na vida de pessoas por terem agido conforme o conselho profético de outra pessoa. Nos dias do Antigo Testamento, se a palavra do profeta não fosse verdadeira, ele era morto! Ele só falava quando sabia que tinha a unção de Deus!
Entre parênteses, devo elogiar o irmão que havia visitado uma cidade para ministrar, deixando-a com uma forte palavra de um poderoso derramamento do Espírito de Deus prestes a cair sobre as igrejas. “Se eu fosse pastor aqui, cancelaria as minhas férias”, disse ele, “para que eu estivesse disponível para os muitos que virão à minha igreja nos próximos meses.”
Alguns pastores fizeram exatamente isso, deixando que suas esposas e filhos saíssem de férias sozinhos.
Contudo, à medida que o ano chegava ao fim, era óbvio que nada de especial havia acontecido; então os representantes dos pastores locais enviaram uma carta educada ao profeta, perguntando se haviam feito algo que desviasse a bênção de Deus de sua cidade. A resposta dele foi humilhante: confessou que havia ‘estragado tudo’ e, por conseguinte, cancelara outras reuniões proféticas por vários meses, colocando-se sob a disciplina dos líderes de sua igreja local. Ele pediu o perdão deles.
O melhor conselho que já ouvi sobre profecia veio de Floyd McClung, da Jovens Com Uma Missão.
Ele disse: “Se alguma vez alguém lhe der uma palavra profética, coloque-a na gaveta de baixo do seu armário e tranque a gaveta. Ela não lhe foi dada como direção para os dias de hoje, mas como um encorajamento para o futuro.” Ele prosseguiu explicando que, se a profecia é de Deus, virá um tempo em que você talvez se encontre numa situação em que precise de segurança. Então você se lembrará da profecia que lhe dizia que isso aconteceria, com o resultado de que você terá maior confiança de que Deus o conduziu até ali.
O cumprimento da profecia é a única evidência de sua unção.
As pessoas são rápidas em reivindicar unção sem considerar o preço da falta de unção. Se os falsos profetas do Antigo Testamento eram mortos, é de se perguntar como o Senhor considera os falsos profetas do Novo Testamento. Quanto da Sua melhor bênção eles perdem?
Uma preocupação semelhante pode ser expressa a respeito dos mestres. Paulo advertiu constantemente a igreja primitiva acerca de mestres ‘falsos’ e de como os homens “não suportariam a sã doutrina, mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoariam para si mestres conforme as suas próprias concupiscências”.
Passei algum tempo na América Latina, onde certos mestres norte-americanos são muito populares, com muitos livros e vídeos traduzidos para o espanhol e o português. Assisti a vídeos com os meus amigos latinos, nos quais o mestre fazia afirmações categóricas sem respaldo bíblico. Ele faz cinco afirmações, das quais as três primeiras são biblicamente sólidas, mas as duas últimas são fruto de sua própria imaginação.
A audiência dele, porém, recebe as cinco como sendo bíblicas, e muitos pastores, não sendo experientes no estudo pessoal e na erudição bíblica, recebem esse ensino como o seu alicerce doutrinário. Influencie um pastor e você influencia uma igreja — para o bem ou para o mal.
Escrevi anteriormente que a característica de um presbítero que o diferencia de um diácono é o fato de ser ‘apto para ensinar’ (capaz e pronto para aplicar a Palavra). Um presbítero que ensina bem deve ser considerado digno de ‘duplicada honra’. O seu ministério é considerado tão valioso que a igreja o coloca acima de todos os outros com ‘duplicada honra’. Por quê?
Acrescentemos também, antes de responder à pergunta, que presbíteros (pastores e mestres) que falham em seu ministério devem ser disciplinados diante de toda a igreja! Dupla honra, duplo risco. Isso não se aplica a nenhuma outra posição na igreja!
Voltemos à pergunta. Por que um mestre haveria de receber dupla honra, e não o profeta ou o evangelista, ou qualquer outro?
Permita-me sugerir que a razão talvez seja explicada pelos exemplos a seguir.
Se um evangelista faz bem o seu trabalho, trará muitos novos crentes para a igreja. Se faz mal o seu trabalho, não acrescentará nenhum novo crente à igreja. É um resultado de zero ou de muitos, e é aditivo.
Se um mestre faz bem o seu trabalho, produzirá muitos discípulos que se multiplicarão. Se faz mal o seu trabalho, também produzirá muitos discípulos — maus discípulos, que se multiplicarão. O resultado é muitos positivos ou muitos negativos, ambos com potencial de multiplicação.
“Deus estabeleceu mestres”, escreveu Paulo. E prosseguiu perguntando: “Porventura são todos mestres?” Precisamos de mestres que sejam ungidos pelo Espírito para ensinar as riquezas ocultas de Cristo. Não reivindique para si nenhum dos chamados ministeriais da igreja, tais como pastor, mestre ou profeta, a menos que você tenha sido enviado a tal ministério por outros, que reconheceram o fardo e o dom evidentes que você recebeu do Senhor. É perigoso reivindicar unção onde não há nenhuma. Isso não é fé — é presunção, um pecado.
Há hoje um movimento entre crentes desiludidos no sentido de iniciar igrejas nos lares. Estão fartos da estrutura hierárquica de sua igreja denominacional, por acreditarem que ela é antibíblica e controladora. Infelizmente, muitas dessas igrejas acabam no mesmo molde da igreja anterior, à medida que ‘líderes’ autoritários e controladores chegam ao topo. É próprio da natureza humana querer controlar aqueles que consideramos mais fracos ou menos competentes do que nós.
Quando o apóstolo Paulo plantou igrejas nos lares na Ásia Menor, designou presbíteros para supervisionar essas congregações incipientes. Esse é um ministério dado por Deus. A autoridade do líder não está em seu título, mas em sua unção como presbítero.
Quando ele verdadeiramente satisfaz os requisitos bíblicos de um presbítero, tais como se encontram em Tito e em 1 Timóteo, há grande potencial para que aquela igreja no lar cresça sob a unção do Senhor.