Com Cristo na Escola de Oração
A Oração Modelo

Capítulo 5 · 10 min de leitura

A Oração Modelo

“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus.”—Mt 6:9.

TODO mestre conhece o poder do exemplo. Ele não apenas diz à criança o que fazer e como fazê-lo, mas lhe mostra como isso realmente pode ser feito. Condescendendo com a nossa fraqueza, o nosso Mestre celestial nos deu as próprias palavras que devemos levar conosco ao nos aproximarmos do nosso Pai. Temos nelas uma forma de oração na qual respiram o frescor e a plenitude da Vida Eterna. Tão simples que a criança pode balbuciá-la, tão divinamente rica que abarca tudo o que Deus pode dar. Uma forma de oração que se torna o modelo e a inspiração de toda outra oração e que, no entanto, sempre nos traz de volta a si mesma como a mais profunda expressão de nossa alma diante do nosso Deus.

“Pai nosso, que estás nos céus!” Para apreciar corretamente esta palavra de adoração, preciso lembrar que nenhum dos santos, nas Escrituras, jamais ousara dirigir-se a Deus como seu Pai. A invocação nos coloca de imediato no centro da maravilhosa revelação que o Filho veio fazer do seu Pai como Pai nosso também. Ela abarca o mistério da redenção — Cristo nos livrando da maldição para que nos tornássemos filhos de Deus. O mistério da regeneração — o Espírito, no novo nascimento, dando-nos a vida nova. E o mistério da fé — antes ainda de a redenção estar consumada ou compreendida, a palavra é posta nos lábios dos discípulos para prepará-los para a bendita experiência que ainda estava por vir. Estas palavras são a chave de toda a oração, de toda oração. Leva tempo, leva a vida inteira estudá-las; levará a eternidade para compreendê-las plenamente. O conhecimento do amor paternal de Deus é a primeira e mais simples, mas também a última e mais alta lição na escola da oração. É na relação pessoal com o Deus vivo, e na comunhão pessoal e consciente de amor com ele mesmo, que a oração começa. É no conhecimento da paternidade de Deus, revelada pelo Espírito Santo, que o poder da oração se enraizará e crescerá. Na infinita ternura, compaixão e paciência do Pai infinito, na sua amorosa prontidão para ouvir e socorrer, a vida de oração encontra a sua alegria. Oh, tomemos tempo, até que o Espírito faça destas palavras para nós espírito e verdade, enchendo o coração e a vida: “Pai nosso, que estás nos céus.” Então estaremos de fato dentro do véu, no lugar secreto de poder onde a oração sempre prevalece.

“Santificado seja o teu nome.” Há algo aqui que nos impressiona de imediato. Ao passo que ordinariamente trazemos primeiro a Deus, em oração, as nossas próprias necessidades, e só então pensamos naquilo que pertence a Deus e aos seus interesses, o Mestre inverte a ordem. Primeiro, o teu nome, o teu reino, a tua vontade; depois, dá-nos, perdoa-nos, guia-nos, livra-nos. A lição é de maior importância do que pensamos. Na verdadeira adoração o Pai deve ser o primeiro, deve ser tudo. Quanto mais cedo eu aprender a esquecer-me de mim mesmo no desejo de que ELE seja glorificado, tanto mais rica será a bênção que a oração trará a mim mesmo. Ninguém jamais perde por aquilo que sacrifica pelo Pai.

Isto deve influenciar toda a nossa oração. Há dois tipos de oração: a pessoal e a intercessória. Esta última ordinariamente ocupa a menor parte do nosso tempo e da nossa energia. Assim não deve ser. Cristo abriu a escola da oração especialmente para formar intercessores para a grande obra de fazer descer, pela sua fé e oração, as bênçãos da sua obra e do seu amor sobre o mundo ao redor. Não pode haver crescimento profundo na oração se isto não for feito o nosso alvo. A criançinha pode pedir ao pai apenas aquilo de que ela própria precisa; e, no entanto, logo aprende a dizer: Dá também um pouco para a minha irmã. Mas o filho crescido, que vive somente para os interesses do pai e se encarrega dos negócios do pai, pede mais largamente e obtém tudo o que pede. E Jesus quer formar-nos para a bendita vida de consagração e serviço, na qual os nossos interesses estão todos subordinados ao Nome, ao Reino e à Vontade do Pai. Oh, vivamos para isto, e que, a cada ato de adoração — Pai nosso! — se siga no mesmo alento o teu Nome, o teu Reino, a tua Vontade; — por isto olhamos para o alto e ansiamos.

“Santificado seja o teu nome.” Que nome? Este novo nome de Pai. A palavra Santo é a palavra central do Antigo Testamento; o nome Pai, a do Novo. Neste nome de Amor toda a santidade e glória de Deus hão de agora ser reveladas. E como há de ser santificado o nome? Pelo próprio Deus: “Eu santificarei o meu grande nome, que vós profanastes.” A nossa oração deve ser que, em nós mesmos, em todos os filhos de Deus, na presença do mundo, o próprio Deus revele a santidade, o poder divino, a glória oculta do nome de Pai. O Espírito do Pai é o Espírito Santo: é somente quando nos entregamos a ser guiados por ele, que o nome será santificado em nossas orações e em nossa vida. Aprendamos a oração: “Pai nosso, santificado seja o teu nome.”

“Venha o teu reino.” O Pai é um Rei e tem um reino. O filho e herdeiro de um rei não tem ambição mais alta do que a glória do reino de seu pai. Em tempo de guerra ou de perigo, isto se torna a sua paixão; ele não consegue pensar em mais nada. Os filhos do Pai estão aqui em território inimigo, onde o reino, que está nos céus, ainda não se manifestou plenamente. Que há de mais natural do que, ao aprenderem a santificar o nome do Pai, anseiem e clamem com profundo entusiasmo: “Venha o teu reino.” A vinda do reino é o único grande acontecimento do qual dependem a revelação da glória do Pai, a bem-aventurança de seus filhos e a salvação do mundo. Também das nossas orações a vinda do reino depende. Não nos uniremos ao profundo e ansioso clamor dos remidos: “Venha o teu reino”? Aprendamo-lo na escola de Jesus.

“Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” Esta petição é com demasiada frequência aplicada apenas ao sofrimento da vontade de Deus. No céu, a vontade de Deus é feita, e o Mestre ensina a criança a pedir que a vontade seja feita na terra assim como no céu: no espírito de submissão adoradora e de pronta obediência. Porque a vontade de Deus é a glória do céu, o cumprimento dela é a bem-aventurança do céu. À medida que a vontade é feita, o reino dos céus entra no coração. E onde quer que a fé tenha aceitado o amor do Pai, a obediência aceita a vontade do Pai. A entrega a uma vida de obediência semelhante à do céu, e a oração por ela, é o espírito da oração de filho.

“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.” Quando a criança se entregou primeiro ao Pai no cuidado pelo seu Nome, pelo seu Reino e pela sua Vontade, ela tem plena liberdade para pedir o seu pão de cada dia. Um senhor cuida do alimento do seu servo, um general dos seus soldados, um pai do seu filho. E não cuidará o Pai que está nos céus da criança que, em oração, se entregou aos interesses dele? Podemos de fato dizer com plena confiança: Pai, eu vivo para a tua honra e a tua obra; sei que cuidas de mim. A consagração a Deus e à sua vontade dá maravilhosa liberdade na oração pelas coisas temporais: toda a vida terrena é entregue ao amoroso cuidado do Pai.

“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.” Assim como o pão é a primeira necessidade do corpo, assim o perdão é a da alma. E a provisão para uma é tão certa quanto para a outra. Somos filhos, mas também pecadores; o nosso direito de acesso à presença do Pai o devemos ao precioso sangue e ao perdão que ele nos conquistou. Guardemo-nos de que a oração pelo perdão se torne uma formalidade: só o que é realmente confessado é realmente perdoado. Aceitemos pela fé o perdão como foi prometido: como uma realidade espiritual, uma transação efetiva entre Deus e nós, ele é a entrada em todo o amor do Pai e em todos os privilégios dos filhos. Tal perdão, como experiência viva, é impossível sem um espírito perdoador para com os outros: assim como perdoado exprime a relação do filho de Deus para com o céu, assim perdoador exprime a sua relação para com a terra. Em cada oração ao Pai eu devo poder dizer que não conheço ninguém a quem não ame de coração.

“E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal.” O nosso pão de cada dia, o perdão dos nossos pecados e, então, sermos guardados de todo pecado e do poder do maligno: nestas três petições está compreendida toda a nossa necessidade pessoal. A oração pelo pão e pelo perdão deve ser acompanhada da entrega a viver em todas as coisas em santa obediência à vontade do Pai, e da oração de fé para, em tudo, ser guardado do poder do maligno pelo poder do Espírito que em nós habita.

Filhos de Deus! é assim que Jesus quer que oremos ao Pai que está nos céus. Oh, que o seu Nome, o seu Reino e a sua Vontade tenham o primeiro lugar no nosso amor; o seu amor que provê, que perdoa e que guarda será a nossa porção certa. Assim a oração nos elevará à verdadeira vida de filho: o Pai todo para a criança, o Pai todo em favor da criança. Compreenderemos como o Pai e a criança, o Teu e o Nosso, são todos um, e como o coração que começa a sua oração com o TEU consagrado a Deus terá o poder, pela fé, de pronunciar também o NOSSO. Tal oração será, de fato, a comunhão e o intercâmbio de amor, trazendo-nos sempre de volta, em confiança e adoração, àquele que não é somente o Princípio, mas também o Fim: “PORQUE TEU É O REINO, E O PODER, E A GLÓRIA, PARA SEMPRE. AMÉM.” Filho do Pai, ensina-nos a orar: “PAI NOSSO.”

“SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR.”

Ó tu que és o Filho unigênito, ensina-nos, nós te suplicamos, a orar: “PAI NOSSO.” Damos-te graças, Senhor, por estas Vivas e Benditas Palavras que nos deste. Damos-te graças pelos milhões que nelas aprenderam a conhecer e adorar o Pai, e por aquilo que elas têm sido para nós. Senhor! é como se precisássemos de dias e semanas na tua escola com cada petição em separado; tão profundas e plenas são elas. Mas esperamos que tu nos conduzas mais fundo no seu sentido: faze-o, nós te pedimos, por amor do teu Nome; o teu nome é Filho do Pai.

Senhor! tu disseste certa vez: “Ninguém sabe quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” E ainda: “Eu lhes fiz conhecido o teu nome, e lho farei conhecer ainda, para que o amor com que me amaste esteja neles.” Senhor Jesus! revela-nos o Pai. Que o seu nome, o seu infinito amor de Pai, o amor com que ele te amou, segundo a tua oração, ESTEJA EM NÓS. Então diremos corretamente: “PAI NOSSO!” Então apreenderemos o teu ensino, e a primeira respiração espontânea do nosso coração será: “Pai nosso, o teu Nome, o teu Reino, a tua Vontade.” E levaremos as nossas necessidades, os nossos pecados e as nossas tentações a ele, na confiança de que o amor de tal Pai cuida de tudo.

Bendito Senhor! somos os teus discípulos, confiamos em ti; ensina-nos, sim, a orar: “PAI NOSSO.” Amém.

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