Dias de Céu na Terra
Junho

Capítulo 6 · 30 min de leitura

Junho

Junho 1

“Para que a justiça da lei se cumprisse em nós” (Rm 8:4).

Amados amigos, sabeis qual é o erro que alguns de vós estais cometendo? Alguns dizem: “Não me é possível ser bom; nenhum homem jamais foi perfeito, e de nada adianta eu tentar.” Este é o erro que muitos de vós cometeis. Concordo com a primeira frase, “Nenhum homem jamais foi perfeito”; mas não concordo com a segunda, “De nada adianta tentar.” Há uma justiça divina que podemos ter. Não me refiro apenas àquela que perdoa os vossos pecados—creio nisso também—mas quero dizer muito mais; refiro-me àquela que entra na vossa alma e se une às fibras do vosso ser; refiro-me a Cristo; a vossa vida, a vossa pureza, fazendo-vos sentir como Cristo sente; pensar como Cristo pensa, amar como Cristo ama, odiar como Cristo odeia, e ser “participantes da natureza divina.” Esta é a justiça de Deus; “para que a justiça da lei se cumprisse em nós,” não por nós, mas em nós; não apenas as nossas mãos e pés, mas os nossos próprios instintos, os nossos próprios desejos, a nossa própria natureza brotando em harmonia com a dele. Vós o tendes, caros amigos? Ele virá e cumprirá em vós todas as coisas retas se hoje abrirdes o vosso coração.

Junho 2

“Como recebestes, pois, o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele” (Cl 2:6).

Aqui está o próprio âmago da vida espiritual. Não é tanto um estado subjetivo quanto uma vida no coração. Cristo por nós é o fundamento da nossa salvação e a fonte da nossa justificação; Cristo em nós, da nossa santificação. Quando isto se torna real, “Estais mortos”; a vossa própria condição, estados e recursos já não são levados em conta, tanto quanto os de um morto, mas “a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” Isto nem sempre vos é manifesto. Está oculto e de tal modo envolto e recolhido nele que somente enquanto permaneceis nele é que aparece e permanece. Antes, “Cristo, que é a vossa vida,” deve ele mesmo mantê-la sempre, e ser feito por Deus para vós tudo de que necessitais. Portanto, a vida cristã não é vir a Cristo para que ele vos salve, e depois seguir adiante e realizar por vós mesmos a vossa santificação, mas “assim como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, andar nele,” tão dependentes e confiando tão simplesmente como para o vosso perdão e salvação.

Ah, amigos, quanto aliviaria as nossas tarefas No dia que apenas começou, Viver a nossa vida um passo de cada vez E os nossos momentos um a um.

Junho 3

“Recebereis a virtude do Espírito Santo” (At 1:8).

Há poder para nós se tivermos o Espírito Santo. Deus quer que falemos aos homens de modo que eles o sintam, de modo que nunca o esqueçam. Deus deseja que todo cristão seja eficaz, que conte nos registros e resultados reais da obra cristã. Caros amigos, Deus vos enviou aqui para serdes vós mesmos um poder. Não há um só de vós que não seja uma roda essencial da engrenagem, e que não possa realizar tudo aquilo a que Deus vos chama. Creio solenemente que não há coisa alguma que Deus espere do homem sem que Deus lhe dê poder para fazê-la. Não há exigência que Deus faça a vós ou a mim que Deus não sustente, e ele dará o que ordena. Creio que, quando Cristo Jesus viveu e morreu e enviou o Espírito Santo, ele enviou recursos para toda a nossa necessidade, e que não há lugar para o fracasso na vida cristã se tomarmos os recursos de Deus. Jesus, aquele que subiu ao céu, e o Espírito Santo, a energia, a vida e a eficiência de Deus que habitam em nós, são suficientes para todas as emergências possíveis. Credes nisto? Se o credes, deixai-o entrar no vosso coração, sem reservas, e permiti que ele vos controle e opere através de vós hoje pelo seu poder.

Junho 4

“Olhando para Jesus” (Hb 12:2).

Deve haver um constante olhar para Jesus, ou, como diz a Bíblia alemã, um desviar o olhar para Jesus; isto é, desviar os olhos do mal, recusando-se a vê-lo, não deixando a mente deter-se nele por um segundo. Deveríamos ter pestanas mentais assim como as físicas, que possam ser usadas como escudos, e não deixar entrar coisa má alguma; ou, como um acampamento cercado de estacas na floresta, que repele o primeiro assalto do inimigo. Este é o uso das franjas dos nossos olhos, e assim deveria ser com a alma. Muitos parecem não saber que têm olhos espirituais. Percorrem o mundo como se alguém lhes houvesse cortado as pestanas, e fitam indistintamente o bem e o mal. O diabo aparece com os seus quadros perversos e os manda olhar. Não podemos olhar para o mal sem sermos contaminados. Às vezes, ao descermos a rua, a vista de alguns dos quadros pelo caminho lança a sua imundícia sobre a alma, de modo que sentimos a necessidade de ser lavados no sangue de Jesus por horas, para a purificação. Não houve consentimento ao pecado, mas a visão dele contaminou. Não há remédio para isso senão na visão interior, resoluta e firme, de Cristo.

Junho 5

“Preparado está o meu coração, ó Deus” (Sl 57:7).

Nem sempre nos sentimos alegres, mas devemos sempre considerá-lo motivo de alegria. Esta palavra considerar é uma das palavras-chave da Escritura. É a mesma palavra usada acerca de estarmos mortos. Temos dolorosa consciência de algo que de bom grado voltaria à vida. Mas devemos tratar-nos como mortos, e nem temer nem obedecer à velha natureza. Assim, devemos considerar uma bênção aquilo que sobrevém; estamos determinados a nos alegrar, a dizer: “Preparado está o meu coração, Senhor; cantarei e darei louvores.” Este regozijo pela fé em breve se tornará um hábito, e sempre trará prontamente o espírito de contentamento e o transbordar espontâneo do louvor.

Então, ainda que a figueira se seque e não haja fruto nas vides, ainda que falhe o produto da oliveira e os campos não deem mantimento, ainda que o rebanho seja tirado do curral e não haja gado nos estábulos, todavia nos alegraremos no Senhor e nos regozijaremos no Deus da nossa salvação.

Ainda que os montes eternos E a própria terra se movam, Nada pode mudar a sua benignidade Nem o seu eterno amor.

Junho 6

“Esvaziou-se a si mesmo” (Fp 2:8, R. V.).

O primeiro passo para a justiça do reino é “pobre de espírito.” Depois, o passo seguinte é um pouco mais profundo, “os que choram.” Porque agora deves tornar-te plástico, deves ser quebrantado, deves tornar-te como o metal no fogo, que o Mestre pode moldar; e assim, não basta ver a tua injustiça, mas senti-la profundamente, lamentá-la profundamente, prantear profundamente sobre ela, reconhecer que não é coisa pequena que o pecado tenha entrado na tua vida. E assim Deus conduz uma alma à sua justiça. Ele geralmente a conduz por meio de algumas provas e tribulações. Isto costuma vir depois da conversão. Não creio ser necessário que uma alma tenha sofrimento profundo e grande antes de ser salva. Creio que ele a porá no fogo quando souber que ela está salva; quando ela perceber que é aceita; quando não temer a disciplina; quando não for a mão da ira, mas a mão do amor. Oh, então, Deus te abate e te faz pobre de espírito, e te faz chorar até chegares ao terceiro passo, que é ser manso, quebrantado, rendido, submisso, disposto, entregue, e prostrado a seus pés, clamando: “Que queres que eu faça?”

Junho 7

“Quando sairdes, não saireis vazios” (Êx 3:21).

Quando estamos realmente esvaziados, ele deseja que sejamos cheios de si mesmo e do Espírito Santo. É muito precioso não ter consciência de nada de bom em nós mesmos; mas, oh, temos também consciência da sua grande bondade? Podemos estar prontos a admitir a nossa própria incapacidade, mas estamos igualmente prontos a admitir a capacidade dele? Há muitos cristãos que sabem dizer: “Não que sejamos capazes, por nós mesmos, de pensar alguma coisa, como se partisse de nós”; mas o número, receio, é muito pequeno dos que sabem dizer: “A nossa capacidade vem de Deus.”

Tens certeza de que ele é capaz de suprir toda necessidade em ti, ou sentes que deves supri-la tu mesmo? Crês que Deus agora supre toda falta no teu coração e na tua vida, de modo que todo tropeço é removido, e ficas dotado de poder para o seu serviço, assim como Eliseu tomou os vasos vazios e os encheu antes de serem postos de lado para o uso? O nosso Salvador, em Caná, mandou encher de água as talhas até à borda. Então a água foi transformada em vinho, mas não antes de os vasos estarem cheios. Deus quer que os seus filhos tenham sempre um coração cheio.

Junho 8

“O trigo é esmiuçado” (Is 28:28).

O agricultor não ajunta o capim-rabo-de-gato e a grama-azul para quebrá-los com uma máquina pesada. Mas ele se esmera com o trigo. Assim Deus se esmera com aqueles que hão de ser-lhe de muita utilidade. Há neles uma natureza que precisa desta disciplina. Não te admires se o trigo do pão é tratado com o cuidado sábio e criterioso que o preparará para servir de alimento. Ele conhece o caminho que está tomando, e há infinita ternura na supervisão que ele exerce. Ele vigia a fornalha em que estás, para que o calor não seja intenso demais. Ele o quer suficientemente grande para purificar, e então é retirado. Ele conhece a nossa estrutura. Não permitirá que nenhuma tentação nos sobrevenha senão as que são comuns aos homens, e com a tentação também dará o meio de escape, para que a possamos suportar. Crês neste amor disciplinador do Lavrador, e estás confiando-lhe a direção e o governo da tua vida? Oh, que cessasses de invejar ou de te perturbar por causa das pessoas ao teu redor! Algum dia te alegrarás pelo preparo e pela bênção que elas te trouxeram.

Junho 9

“Vós sois a luz do mundo” (Mt 5:14).

Somos chamados as luzes do mundo, portadores de luz, refletores, castiçais, lâmpadas. Devemos ser acesos nós mesmos, e então arderemos e daremos luz aos outros. Somos a única luz que o mundo tem. O Senhor poderia descer ele mesmo e dar luz ao mundo, mas escolheu de outra maneira. Ele quer enviá-la por meio de nós, e se não a dermos o mundo não a terá. Deveríamos estar dando luz o tempo todo aos nossos próximos. Deus não põe um meteoro no céu para nos dizer quando brilhar. Devemos estar dando luz o tempo todo onde quer que estejamos, em casa, ou no círculo social, ou no nosso lugar na igreja. Deveríamos sentir sempre que talvez nunca tenhamos outra oportunidade para isso, e assim deveríamos estar sempre ardendo e brilhando para ele. Estejam as nossas lâmpadas aparadas e acesas e cheias do azeite do Espírito. Acima de tudo, sejamos uma luz constante para os que estão perdidos.

Deixa-me habitar em Timnate-Sera, Onde o sol para sempre resplandece, Onde a noite e as trevas não vêm, E o dia já não declina.

Junho 10

“Vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas” (Mt 6:32).

Cristo não faz menos caso da nossa confiança para as coisas temporais do que para as espirituais. Ele dá bastante ênfase a isso. Por quê? Simplesmente porque é mais difícil confiar em Deus para elas. Nas questões espirituais podemos enganar a nós mesmos, e pensar que estamos confiando quando não estamos; mas não podemos fazê-lo quanto ao aluguel e ao alimento, e às necessidades do nosso corpo. Eles têm de vir, ou a nossa fé falha. É fácil dizer que confiamos nele em coisas que estão muito distantes, mas não pode haver frivolidade quando se trata de coisas em que a fé precisa trazer respostas práticas. É fácil ter fé para as nossas necessidades, e confiar nele quando o sol está brilhando. Mas surjam algumas coisas que nos irritam e nos molestam e nos afligem, e logo descobrimos se temos confiança verdadeira ou não. E assim as coisas da vida cotidiana são provas da nossa verdadeira fé em Deus, e ele muitas vezes nos coloca onde temos de confiar para assuntos tangíveis—para o dinheiro e o aluguel, e o alimento e as roupas. Se não estás confiando aqui inteiramente, quando fores posto em tais provas desmoronarás. Estás confiando em Deus para tudo durante os seis dias comuns da semana?

Junho 11

“Tu tens o orvalho da tua mocidade” (Sl 110:3).

Oh, se pudesses ter uma tal visão dele que tornasse impossível que as coisas pequenas jamais te aflijam de novo! As preocupações mesquinhas e as ninharias tolas que tanto te perturbaram deveriam antes encher-te de admiração por poderes pensar tanto nelas. Oh, se tivesses o orvalho da mocidade dele, sairias como a manhã e cumpririas a promessa de um dia glorioso! Que diferença isto tem feito na vida desde que vimos que era possível fazê-lo! Como parece fácil agora, quando vêm as pequenas atribulações, chegar um pouco mais perto de Cristo, beber um pouco mais daquela fonte de vida, aproximar-se um pouco mais daquele coração amoroso, e haurir dele grandes goles de refrigério e força. Como isto torna a mente clara para o trabalho! Vindo a ele assim, pesado e embotado e cansado, como ficas descansado e capaz de saltar pronto para o trabalho. Como é inspirador pensar que a nossa Cabeça viva nunca se cansa. Ele está tão viçoso quanto sempre esteve; é um glorioso vencedor; é sempre o Cristo vitorioso. Deixa-o tomar-te hoje, e ele te fará ver nele o Líder invencível!

Junho 12

“Queríamos ver Jesus” (Jo 12:21).

Glória a ele por todas as coisas reservadas para nós nos dias vindouros. Glória a ele por todas as visões de serviço no futuro; as oportunidades de fazer o bem que estão longe assim como perto. O nosso Salvador foi capaz de desprezar a cruz pela alegria que lhe estava proposta. Olhemos para ele, e elevemo-nos a ele até chegarmos ao alto e podermos contemplar, do monte da visão, toda a terra das longas distâncias. Não nos sobrevirá uma única coisa em todo o futuro na qual não possamos ver o Rei na sua formosura. Estejamos bem certos de que não vemos mais nada. As nossas pupilas ficarão impressas ao olharem para esta visão, de modo que não poderão refletir mais nada. Meu filhinho veio a mim certa vez e disse: “Papai, olha bastante para aquele letreiro dourado do outro lado da rua; agora olha para aquela parede de tijolos e dize-me o que vês.” “Ora, vejo o letreiro dourado na parede de tijolos.” E ele riu alegremente disso. Assim, se olharmos por muito tempo para Jesus, não poderemos olhar para mais nada sem ver um reflexo dele. Tudo o que contemplarmos se tornará parte dele.

Junho 13

“A doçura dos lábios aumenta o saber” (Pv 16:21).

A vida é em grande parte feita de palavras. Elas talvez não sejam tão enfáticas quanto os atos. Os atos são expressões mais deliberadas do pensamento. Um dos mais notáveis autores do Novo Testamento disse: “Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito.” Isso é muitas vezes uma prova de vitória na vida cristã. O nosso triunfo nisto muitas vezes depende do que dizemos, ou do que não dizemos. Tiago diz da língua: “É um fogo do inferno.” O verdadeiro cristão, portanto, é reto nos seus caminhos e íntegro nas suas palavras. Os seus atos apelam aos homens; mas na fala ele olha para cima, pois Deus está ouvindo. As suas palavras são enviadas para o alto e registradas para o juízo. Creio que isto é um fato real, e quase posso imaginar que os céus lá em cima, que parecem tão transparentes, o belo éter azul sobre as nossas cabeças, é como uma tábua de cera com uma superfície finamente sensível, e recebe uma impressão de cada palavra que falamos, e que então essas tábuas se endurecem e se conservam para o juízo eterno. Assim deveríamos falar, caros amigos, com os nossos olhos sempre para o alto, nunca esquecendo que algum dia haveremos de encontrar as palavras que falamos.

Junho 14

“O segredo do Senhor é com aqueles que o temem” (Sl 25:14).

Há segredos da Providência que os queridos filhos de Deus podem aprender. O trato dele com eles muitas vezes parece, ao olho exterior, sombrio e terrível. A fé olha mais fundo e diz: “Este é o segredo de Deus. Tu olhas apenas para o exterior; eu posso olhar mais fundo e ver o significado oculto.” Às vezes os diamantes vêm embrulhados em pacotes toscos, de modo que o seu valor não pode ser visto. Quando o tabernáculo foi construído no deserto, não havia nada de rico na sua aparência exterior. As coisas preciosas estavam todas dentro, e a sua cobertura exterior de pele rústica de texugo não dava indício algum das coisas valiosas que ele continha. Deus pode enviar-te, caros amigos, alguns pacotes preciosos. Não te preocupes se vierem embrulhados em invólucros toscos. Podes ter a certeza de que há tesouros de amor, e bondade e sabedoria escondidos dentro. Não sejas tão tolo a ponto de lançar fora uma pepita de ouro porque há algum quartzo nela. Se aceitarmos o que ele envia, e confiarmos nele quanto ao bem que nela há, mesmo na escuridão, aprenderemos o significado dos segredos da sua providência.

Junho 15

“Cresçamos em tudo nele” (Ef 4:15).

A colheita é um tempo de maturidade. Então o fruto e o grão estão plenamente desenvolvidos, tanto em tamanho quanto em peso. O tempo temperou o azedume do fruto verde. Ele foi amadurecido e amaciado pelas chuvas e pelo calor do verão. O sol o matizou de cores ricas, e afinal está pronto e maduro para cair na mão. Assim deveria ser a vida cristã. Há muitas coisas na vida que precisam ser amadurecidas e sazonadas. Muitos cristãos têm pomares cheios de fruto, mas estão todos verdes e ásperos ao paladar. Há muita coisa boa neles, mas é incompleta, e muito áspera e azeda. Talvez algo dê errado na tua vida doméstica, e te agites e te irrites e percas a tua confiança em Deus, e então, é claro, a tua alegria cristã. Estas coisas produzem pesar e toda sorte de miséria. Há muitas coisas de que te arrependes dia após dia. Sabes que não estás maduro e sazonado e não podes tornar-te assim por esforço próprio. Não podes fazer entrar a doçura. Ela precisa ser produzida de dentro.

Junho 16

“Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mt 6:24).

Ele não diz que não podeis muito bem servir a Deus e a mamom, mas que não podeis de modo algum servir a dois senhores. Certamente acabareis por servir a um. O homem que pensa estar servindo a Deus um pouco engana-se; não está servindo a Deus. Deus não aceitará o seu serviço. O diabo o monopolizará antes que ele termine. Um coração dividido perde ambos os mundos. Saul o tentou. Balaão o tentou. Judas o tentou, e todos fracassaram desesperadamente. Maria teve apenas uma escolha. Paulo disse: “Uma coisa faço.” “Para mim o viver é Cristo.” De uma tal vida diz Deus: “Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque conheceu o meu nome.” Deus tem um orgulho peculiar em mostrar o seu amor ao coração que inteiramente o escolhe. O céu e a terra se desvanecerão antes que a confiança desse coração possa ser desapontada. Escolhemos somente a ele e lhe demos todo o nosso coração?

Dize, é tudo por Jesus, Como tantas vezes cantas? É ele o teu Régio Senhor? É ele o querido Rei do teu coração?

Junho 17

“A glória do Senhor será a tua retaguarda” (Is 58:8).

Ele vem ao nosso lado como o nosso auxiliador; ou, mais que isso. Ele vem habitar dentro de nós; para ser a vida no nosso sangue, o fogo no nosso pensamento, a fé dentro de nós, tanto no início quanto na consumação. Assim ele se torna não apenas a recompensa do vencedor, mas os recursos da vitória. Ele é o Capitão e o Vencedor nas nossas vidas. Se recebemos algum auxílio que nos aliviou de uma manhã atribulada, foi dele. Ele levanta os nossos olhos para si mesmo e nos livra da apatia, do descontentamento e dos temores. Ele é sempre o auxiliador nesta competição celestial, e será o grande galardão em todas as eras vindouras. Se a nossa vida está escondida com ele, teremos de passar pelas mesmas provas por que ele passou, mas não as acharemos demasiado difíceis. Se uma vez o tomarmos plenamente como a força da nossa vida, e o nosso tudo em todos, poderemos pôr de lado todas as coisas que nos embaraçam e nos oprimem dia após dia.

Eu venci, venci, Venci por ti, Tu vencerás, vencerás, Vencerás por mim.

Junho 18

“Faço uma grande obra, de maneira que não poderei descer” (Ne 6:3).

Quando o trabalho aperta, há muitas coisinhas que surgem e parecem exigir atenção. Então é coisa muito abençoada estar quieto e sereno, e continuar a trabalhar, e confiar as coisinhas a Deus. Ele responde a tal confiança de modo maravilhoso. Se a alma não tem tempo de se afligir e se preocupar e acalentar cuidados, é porque aprendeu o segredo da fé em Deus. Um desejo desesperado de resolver alguma dificuldade tira os olhos de Deus e da sua glória. Alguns queridos têm estado tão ansiosos por ficar bons, e gastado tanto tempo tentando reivindicá-lo, que perderam a sua bênção espiritual. Deus às vezes tem de ensinar a tais almas que deve haver disposição para estar enfermo antes que estejam tão inteiramente rendidas a ponto de receber a sua mais plena bênção.

O inimigo muitas vezes insiste nesta obra. Sambalate veio quatro vezes a Neemias e recebeu sempre a mesma resposta. É melhor ater-se a uma boa resposta. Quantos temores paramos para combater que ao fim se mostraram não ser nada. Neemias reconheceu que o temor era pecado, e não ousou ceder a ele.

Junho 19

“Quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?” (Rm 11:35).

As mulheres cristãs do mundo têm em seu poder, mediante um sacrifício muito pequeno, acrescentar milhões ao tesouro do Senhor. Amadas irmãs, achastes a alegria do sacrifício por Jesus? Renunciastes a algo para poder dá-lo a ele? Estais dando a vossa fazenda a Jesus? Ele a tomará, e vos dará mil vezes mais. Preferiria estar ligado a uma obra fundada em grande sacrifício do que em enormes dotações. A razão por que Deus amou o lugar onde o seu antigo templo se ergueu em majestade foi porque ali Abraão ofereceu o seu filho e Davi o seu tesouro. A razão por que a redenção é tão cara ao Pai e ao mundo celestial é porque a sua pedra de fundamento é a Cruz do Calvário. E a vida cristã que é a mais cara ao coração de Deus, e que se elevará à mais alta glória e utilidade, é aquela cujo princípio fundamental é o sacrifício e a renúncia de si mesmo. É por isso que o Mestre nos ensina a dar, porque dar significa amar, e amar é apenas outro nome para vida.

Junho 20

“Cada um fique na vocação em que foi chamado” (1Co 7:20).

Ó vós que vos queixais da vossa vocação ou vos afligis com as mudanças e provas da vida, como sabeis se não são estas mesmas mudanças os métodos divinos pelos quais os propósitos de bênção e utilidade de Deus a vosso respeito se hão de cumprir? Se Áquila não tivesse sido compelido a deixar Roma e a desfazer o seu lar e o seu negócio, provavelmente nunca teria encontrado Paulo, nem sido chamado ao conhecimento e ao serviço de Cristo por meio deste encontro providencial. Se não tivesse sido um trabalhador, exercendo o seu ofício comum, não teria sido posto em contato com o apóstolo. Foi na linha da sua vocação, dos seus deveres comuns, e das mudanças providenciais da sua vida que Deus os chamou. E assim ele nos encontra. Não te esforces por fugir disso, mas, como o apóstolo tão belamente disse: “Cada um fique na vocação em que foi chamado, e nela permaneça com Deus.” Aproveita ao máximo as tuas oportunidades incidentais.

Junho 21

“E a uns pôs Deus na igreja ... socorros” (1Co 12:28).

Nas listas de oficiais da igreja feitas pelo apóstolo, os “socorros” são mencionados antes dos “governos.” Pelo ministério da oração, pelo ministério de dar, pelo ministério do encorajamento, pelo rosto radiante e o mudo aperto de mão, e uma pequena palavra de ânimo, e pelas incontáveis maneiras pelas quais podemos ajudar, ou ao menos evitar atrapalhar, todos nós ainda podemos achar as pegadas de Áquila e Priscila, se as quisermos seguir. É uma grande graça poder alegrar-se na obra de outrem e derramar as nossas vidas, como rios caudalosos, em grandes correntes. Mas Deus sabe de onde veio cada gota, e no grande dia da recompensa muitos dos socorros terão o principal galardão. Amados, estais ajudando? Estais ajudando o vosso pastor, o vosso irmão, o vosso marido, a vossa mãe, o vosso companheiro de trabalho, e, quando vier a colheita, alegrar-se-ão juntos o que semeia e o que ceifa?

Podes ajudar com santa oração, Amor prestativo e cântico alegre, Oh, os fardos que podes levar, Oh, as tristezas que podes partilhar, Oh, as coroas que ainda podes usar, Se ajudares no caminho.

Junho 22

“Este é o pão que desceu do céu” (Jo 6:58).

Tínhamos em nós mesmos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão grande morte, e nos livra; em quem esperamos que ainda nos livrará. Este era o segredo sobrenatural da vida de Paulo; ele extraía continuamente no seu corpo da força de Cristo, a sua Cabeça ressuscitada. O corpo que se levantou do túmulo de José era para ele uma realidade física e a fonte inesgotável das suas forças vitais. Mais do que qualquer outro ele nos transmitiu o segredo da sua força; “Somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos”; “O corpo é para o Senhor, e o Senhor para o corpo.” Verdade maravilhosa! Divino Elixir da Vida e Fonte da Perpétua Juventude! Penhor da Ressurreição! Cumprimento dos antigos salmos e cânticos de fé! “O Senhor é a força da minha vida; a quem temerei? Desfalece a minha carne e o meu coração, mas Deus é a força do meu coração e a minha porção para sempre.” Amados, aprendemos este segredo, e estamos vivendo a vida do Encarnado na nossa carne?

Junho 23

“Agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser” (1Jo 3:2).

Somos filhos de Deus. Não somos meramente chamados e até legalmente declarados, mas de fato somos filhos de Deus por recebermos a vida e a natureza de Deus; e assim somos os próprios irmãos do nosso Senhor; não apenas na sua natureza humana, mas ainda mais na sua relação divina. “Por isso, ele não se envergonha de nos chamar irmãos.” Ele nos dá aquilo que nos confere esse direito, e nos faz dignos dele. Ele não nos introduz numa posição para a qual sejamos ineptos e despreparados, mas nos dá uma natureza digna da nossa gloriosa condição; e quando ele nos contemplar na nossa completa e gloriosa exaltação, refletindo a sua própria semelhança e resplandecendo na glória de seu Pai, não terá motivo para se envergonhar de nós. Ainda agora ele se agrada em reconhecer-nos diante do universo e chamar-nos irmãos à vista de toda a terra e de todo o céu. Oh, como isto dignifica o mais humilde santo de Deus! Quão pouco precisamos importar-nos com a incompreensão do mundo, se ele “não se envergonha de nos chamar irmãos.”

Saiamos, pois, hoje, para representar a sua família real.

Junho 24

“Vestir-te-ei de vestes novas” (Zc 3:4).

Para Paulo, todo exercício da vida cristã era simplesmente a graça de Jesus Cristo comunicada a ele e por ele vivida, de modo que a santidade era revestir-se do Senhor Jesus e de todas as vestes da sua perfeita justiça, que ele tanto gosta de descrever nas suas belas epístolas. “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados,” diz ele aos colossenses, “de entranhável misericórdia, de benignidade, de humildade, de mansidão, de longanimidade”; e, “sobre tudo isto, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição.” Nenhuma destas coisas é considerada qualidade intrínseca em nós, mas graças comunicadas pela mão de Jesus. E mesmo nos últimos anos da sua vida, e depois da madura experiência de um quarto de século, encontramo-lo exclamando: “Tudo considero como perda, por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual sofri a perda de todas as coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo e ser achado nele.”

Senhor, capacita-nos hoje a sair, revestidos das tuas vestes de perfeita retidão e com os nossos corações em harmonia com o teu perfeito amor.

Junho 25

“Que sempre nos faz triunfar em Cristo” (2Co 2:14).

Todo vencedor deve primeiro ser vencedor de si mesmo. Mas o método da vitória de Josué foi o braço erguido de Moisés no monte. Enquanto ele mantinha as mãos levantadas, Josué prevalecia; quando as abaixava, Amaleque prevalecia. Havia de ser uma batalha de fé e não de força humana, e o estandarte que havia de tremular sobre o inimigo derrotado, “Jeová-Nissi.” Este é também o segredo do nosso triunfo espiritual. “Se somos guiados pelo Espírito, não cumpriremos a concupiscência da carne.” “O pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.”

Começamos assim a batalha e, na força de Cristo, plantamos os nossos pés sobre o nosso próprio pescoço, e, vitoriosos assim sobre o inimigo na cidadela do coração, fomos postos em liberdade para a batalha do Senhor e o serviço dos outros? Foi a falta disto que estorvou a vida de Saul e arruinou muitas carreiras promissoras. Um só inimigo no coração é mais forte do que dez mil no campo de batalha. Que o Senhor nos conduza a todos ao primeiro triunfo de Josué, e nos mostre o segredo da crucificação do próprio eu por meio do maior Josué, que só ele nos pode conduzir à santidade e à vitória!

Junho 26

“Quando viu as multidões, moveu-se de íntima compaixão” (Mt 9:36).

Ele pode “compadecer-se das nossas fraquezas.” A palavra “tocado” exprime muita coisa. Significa que as nossas atribulações são atribulações dele, e que em todas as nossas aflições ele é afligido. Não é uma compaixão de sentimento, mas uma compaixão de sofrimento.

Há muito auxílio nisto para o coração cansado. É o fundamento do seu Sacerdócio, e Deus quis que fosse para nós uma fonte de incessante consolação. Compreendamos, mais plenamente, a nossa união com o nosso Grande Sumo Sacerdote, e lancemos todos os nossos fardos sobre o seu grande coração de amor. Se sabemos o que é doer em cada nervo com a dor sensível do nosso filho que sofre, podemos formar alguma ideia de como as nossas tristezas tocam o seu coração, e comovem a sua exaltada pessoa. Assim como a mãe sente a dor do seu bebê, assim como o coração da amizade ecoa cada clamor da dor de outrem, assim no céu o nosso exaltado Salvador, ainda em meio aos arrebatamentos daquele mundo feliz, está sofrendo no seu Espírito e mesmo na sua carne com tudo o que os seus filhos suportam. “Tendo, pois, um tão grande sumo sacerdote, cheguemos com confiança ao trono da graça,” e cheguemo-nos ao nosso grande Sumo Sacerdote.

Junho 27

“Enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18).

Alguns dos efeitos de estar cheio do Espírito são:

1. Santidade de coração e de vida. Isto não é a perfeição da natureza humana, mas a santidade da natureza divina que habita no interior.

2. Plenitude de alegria, de modo que o coração está constantemente radiante. Isto não depende das circunstâncias, mas enche o espírito de santo riso em meio às situações mais penosas.

3. Plenitude de sabedoria, luz e conhecimento, fazendo-nos ver as coisas como ele as vê.

4. Uma elevação, um aprimoramento e uma vivificação da mente, pela capacidade de receber o cumprimento da promessa: “Temos a mente de Cristo.”

5. Uma igual vivificação da vida física. O corpo foi feito para o Espírito Santo, tanto quanto a mente e a alma.

6. A capacidade de orar a oração do Espírito Santo. Se ele está em nós, haverá uma estranha concordância com a operação de Deus no mundo ao nosso redor. Há uma harmonia divina entre o Espírito e a Providência.

Junho 28

“Encostada ao seu amado” (Ct 8:5).

Farás tu a apropriação mais prática e real e te apoiarás, como João, com todo o teu peso sobre o peito do Senhor? É assim que ele quer que provemos o nosso amor. “Se me amas, apoia-te com força,” disse uma mulher pagã ao seu missionário, enquanto timidamente encostava o corpo cansado no peito robusto dele. Ela sentiu-se desprezada pela reserva temerosa, e pediu a confiança que lançaria todo o seu peso sobre aquele em quem confiava. E ele nos diz: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” Ele quer que provemos o nosso amor por uma confiança perfeita que nada reserva. Ele é capaz de levar todo o nosso cuidado, de administrar todos os nossos interesses, de satisfazer todas as nossas necessidades. Saiamos apoiando-nos no seu peito e alimentando-nos da sua vida. Pois João não só se apoiou, mas também se alimentou. Foi à ceia que ele se recostou. Este é o segredo de alimentar-se dele: repousar sobre o seu seio. Esta é a necessidade do coração febril do homem. Clamemos a ele: “Dize-me, ó tu a quem ama a minha alma, onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia.”

Junho 29

“Ele habita convosco, e estará em vós” (Jo 14:17).

Não deixes de notar estas duas etapas na vida cristã. Uma é a obra do Espírito em nós, a outra é a vinda pessoal do Espírito para habitar dentro de nós. Todos os verdadeiros cristãos conhecem a primeira, mas poucos, é de recear, compreendem e recebem a segunda. Há grande diferença entre eu construir uma casa e eu ir residir nessa casa e fazer dela o meu lar. E há grande diferença entre a obra do Espírito Santo em regenerar uma alma—a construção de uma casa, e a sua vinda para residir, permanecer e governar no nosso espírito mais íntimo e em toda a nossa vida e ser.

Recebemo-lo a ele mesmo, não como nosso Hóspede, mas como o Dono, Proprietário e Guardião do templo que ele edificou para ser “morada de Deus em Espírito”?

Esta é a minha história maravilhosa, Cristo ao meu coração veio, Jesus, o Rei da glória, Acha no meu coração um lar. Fico tão contente por tê-lo recebido, Jesus, o querido Rei do meu coração, Eu, que tantas vezes o entristeci, Tudo aos seus pés quisera trazer.

Junho 30

“Escolhe, pois” (Dt 30:19).

Os homens estão escolhendo todos os dias o espiritual ou o terreno. E, à medida que escolhemos, vamos inconscientemente tomando o nosso lugar com os amigos de Cristo, ou com o mundo. Não é meramente o que dizeis, é o que preferimos.

Quando Salomão fez a sua grande escolha em Gibeão, Deus lhe disse: “Porquanto isto esteve no teu coração, pedir sabedoria, eu ta darei, e também tudo o mais que não escolheste.” Não foi meramente que ele o disse porque era certo dizê-lo, e agradaria a Deus se o dissesse. Mas era a coisa que o seu coração preferia, e Deus a viu no seu coração e lha deu, com tudo o mais que ele não escolhera. Que estamos escolhendo, amados? É a nossa escolha que decide o nosso destino. Não é como nos sentimos, mas o que propomos. Escolhemos a boa parte? Dissemos: “Seja eu o que for ou tenha eu o que tiver, seja eu filho de Deus, tenha eu o seu favor e a sua bênção, agrade eu a ele?” Ou dissemos: “Preciso ter esta coisa, e depois cuidarei da religião.” Ai, Deus viu o que havia no teu coração, e talvez já tenha dito: “Já receberam o seu galardão.”

Capítulo 6 concluído

Junho

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