Capítulo 4 · 7 min de leitura
Amar e respeitar o seu marido
"Portanto, também vós, cada um em particular, ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o seu marido." Efésios 5:33 O casamento foi ideia de Deus. Antes de haver pecado, antes de haver qualquer tristeza no mundo, Deus disse que não era bom que o homem estivesse só, e fez uma mulher para ser a sua auxiliadora e companheira.
O primeiro casamento de todos foi celebrado pelo próprio Deus no Jardim do Éden. Isso nos diz algo muito importante. O casamento não é uma invenção humana. É uma aliança sagrada desenhada por Deus, e reflete algo da própria natureza dele — o amor entre Cristo e a sua Igreja.
No nosso tempo, o casamento está sob grande ataque. Alguns dizem que é coisa antiquada. Alguns dizem que é uma prisão para as mulheres. Alguns dizem que deve terminar assim que se torna difícil. Outros o tratam como um contrato que se pode romper quando uma das partes fica insatisfeita. Mas, minha irmã, a Bíblia nos apresenta um quadro muito diferente. O casamento foi feito para durar a vida inteira. Foi feito para ser um lugar de amor, respeito, companheirismo, fidelidade e fecundidade. E, dentro do casamento, Deus deu à esposa cristã um chamado belo e poderoso.
O apóstolo Paulo escreve em Efésios capítulo cinco que as esposas devem submeter-se aos seus próprios maridos como ao Senhor, e que os maridos devem amar as suas esposas como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela. Estes dois mandamentos andam juntos. O marido não é um rei que governa com dureza. Ele é chamado a um amor de sacrifício. A esposa não é uma escrava. Ela é chamada a apoiar de bom grado e com amor a liderança do marido. Quando tanto o marido como a esposa obedecem ao Senhor nos seus diferentes chamados, o casamento se torna um retrato do próprio evangelho.
Pedro escreve algo belíssimo em 1 Pedro capítulo três. Ele fala às esposas e usa Sara como exemplo. Sara chamava Abraão de senhor, e o obedecia. Pedro diz às esposas cristãs que a sua beleza não deve vir principalmente dos cabelos trançados, nem das joias de ouro, nem das roupas finas, mas do homem interior do coração — um espírito manso e tranquilo — que é de grande valor diante de Deus. Isso não significa que a esposa cristã nunca deva falar nem ter pensamentos próprios.
Sara disse a Abraão o que pensava. Abigail disse a Davi o que pensava. A mulher de Provérbios 31 abre a sua boca com sabedoria. O que Pedro quer dizer é que a esposa cristã não é escandalosa, nem briguenta, nem de língua afiada, nem está sempre lutando para impor a sua vontade. Ela se porta com dignidade. O seu espírito é sereno. E até maridos incrédulos podem ser ganhos pela conduta das suas esposas, sem palavra alguma.
Pense em Priscila, no livro de Atos. Ela era casada com Áquila, e trabalhavam juntos como fabricantes de tendas. Viajaram com Paulo. Abriram a sua casa para a igreja. Quando ouviram o eloquente pregador Apolo, que ainda não compreendia plenamente o evangelho, ambos o tomaram à parte e lhe expuseram o caminho de Deus com mais exatidão. Priscila é quase sempre mencionada ao lado do marido — às vezes o nome dela vem até em primeiro lugar — e serviram ao Senhor juntos, como uma equipe. Este é um belo retrato do casamento cristão. Marido e mulher, trabalhando ombro a ombro pelo Reino.
Ou pense em Rute. Quando Boaz a viu, não se enamorou primeiro pela sua beleza. Enamorou-se pelo seu caráter. A sua bondade para com Noemi, o seu trabalho árduo nos campos, a sua disposição de seguir o Deus de Israel — foram essas coisas que a fizeram sobressair. Boaz lhe disse que toda a cidade sabia que ela era uma mulher virtuosa. Muito antes de se casar, Rute já vivia como uma esposa piedosa.
Deixe-me falar de modo prático, porque teoria sem prática não ajuda ninguém. Como você pode amar e respeitar o seu marido esta semana?
Fale bem dele. Não se junte às mulheres do mercado ou do poço que falam mal dos maridos.
Quando ele não estiver presente, que as suas palavras a respeito dele o edifiquem. As crianças, sobretudo, estão ouvindo. Nunca deprecie o pai delas na sua frente. Se ele tem defeitos — e todos os maridos têm defeitos, assim como todas as esposas —, leve esses defeitos a Deus em oração, e não às fofoqueiras da aldeia.
Ouça-o. Quando ele chegar em casa cansado do trabalho, não o carregue logo com todos os problemas que os filhos causaram naquele dia. Deixe-o sentar-se. Leve-lhe uma xícara de chá. Pergunte-lhe como foi o dia.
Muitos maridos estão famintos por uma esposa que realmente os escute.
Cuide de si mesma e da sua casa. Mantenha-se limpa e recatada. Mantenha a sua casa em ordem. O marido que gosta de voltar para casa é o marido que fica em casa. Isso não quer dizer que você tenha de ser perfeita — ninguém é. Quer dizer que você faz a sua parte para que o seu lar seja um lugar de paz e acolhimento.
Seja fiel a ele no corpo e no coração. Não flerte com outros homens. Não compare o seu marido com outros homens. Não alimente fantasias vindas de filmes ou romances. Guarde o seu coração, porque dele procedem as fontes da vida.
Ore por ele todos os dias. Ore pelo trabalho dele, pela sua saúde, pela sua caminhada espiritual, pelas suas decisões, pelas suas tentações. O marido por quem se ora é um homem abençoado, mesmo que não saiba por que as coisas lhe vão bem.
Agora deixe-me tratar de uma situação difícil. E se o seu marido ainda não for cristão? E se ele for duro? E se ele beber? E se ele for infiel? E se ele bater em você? Deixe-me ser clara sobre algumas coisas. Primeiro, em 1 Pedro capítulo três, Deus fala diretamente às esposas de maridos incrédulos. Diz que eles podem ser ganhos sem palavras, pela conduta das suas esposas. As suas orações, a sua bondade, a sua paciência, o seu caráter piedoso — tudo isso é poderoso. Não pare de orar. Não pare de mostrar Cristo. Segundo, respeitar o seu marido não significa permitir que ele destrua você ou os seus filhos. Se houver perigo físico, procure, por favor, a ajuda do seu pastor, da sua igreja, de familiares de confiança ou das autoridades competentes. Deus não exige que você permaneça numa situação que põe a sua vida em risco. Terceiro, não sofra em silêncio se precisar de ajuda. Encontre na sua igreja uma mulher cristã mais velha que possa caminhar e orar com você. Você não está sozinha.
Deixe-me terminar com uma mulher da história da Igreja. Catarina von Bora era uma freira que deixou o seu convento e se casou com o grande reformador Martinho Lutero. Ela administrava a grande casa deles, criava os filhos, recebia os hóspedes, fabricava cerveja para gerar renda e apoiava a imensa obra de tradução da Bíblia e de ensino do marido. Lutero a chamava de sua "estrela da manhã" e de seu "senhor Kate" — um apelido brincalhão que revelava o profundo respeito que tinha por ela. O casamento deles se tornou, por séculos, um modelo de vida familiar cristã no mundo protestante. Talvez você nunca traduza uma Bíblia, mas o modo como ama e respeita o seu marido pode ser um testemunho que dura por gerações.
Uma oração Querido Senhor, agradeço-te pelo dom do casamento, que tu mesmo desenhaste desde o princípio.
Se sou casada, oro hoje pelo meu marido. Abençoa-o, protege-o, atrai-o para perto de ti. Ajuda-me a amá-lo com um amor que reflita o teu amor pela Igreja. Ajuda-me a respeitá-lo, a edificá-lo, a orar fielmente por ele. Dá-me um espírito manso e tranquilo, precioso aos teus olhos. Onde o nosso casamento for difícil, dá-nos graça para atravessá-lo juntos. Onde houver amargura, traz perdão. Onde houver distância, traz proximidade. Faz do nosso lar um lugar onde tu és honrado e onde os nossos filhos veem a beleza de um casamento cristão. Em nome de Jesus, amém.