Capítulo 6 · 17 min de leitura
Guardados
"Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar aquilo que lhe confiei até àquele dia." II Tm. i. 12.
"Guardados na virtude de Deus, pela fé, para a salvação." I Pedro i. 5.
Quanto mais precioso é um tesouro, tanto mais importante é que seja resguardado e guardado. A figura do nosso primeiro texto é a de um depósito bancário, e literalmente diz: "Ele é poderoso para guardar os meus depósitos até àquele dia." Quando grandes depósitos de ouro são levados aos cofres de algum banco rico, esquadrões inteiros de polícia montam guarda, e as mais poderosas fechaduras, trancas, barras e paredes, e a mais incessante e insone vigilância de guardas e detetives são empregadas para protegê-los. Às vezes a figura é usada num sentido militar. O segundo texto é desse tipo, e literalmente deveria ser traduzido: "Os quais são guarnecidos pela virtude de Deus, mediante a fé, para a salvação." Que vastos gastos e que poderosos armamentos e exércitos são empregados para guarnecer os grandes pontos estratégicos que guardam as portas das nações, tais como Port Arthur, Gibraltar, Quebec e outras cidadelas. Às vezes a figura é usada a respeito do pastor e do seu rebanho: "Ele ajuntará Israel e o guardará, como o pastor guarda o seu rebanho."
Mas qualquer que seja a figura ou expressão empregada, o único grande pensamento que Deus quer transmitir aos corações do seu povo provado e sofredor é este: que eles estão seguros sob a sua guarda, e que Ele é poderoso para guardar aquilo que lhe confiamos até àquele dia. Consideremos algumas das suas graciosas promessas de guardar o seu povo.
- Ele nos guardará onde quer que formos ou estivermos. Ouçamos a primeira promessa do nosso divino Guardador, tal como foi dirigida a Jacó na hora da sua solidão e do seu temor: "Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, porque não te deixarei até que haja cumprido tudo o que te tenho falado." Como Ele cumpriu essa palavra para com Jacó! Quão numerosos foram os diversos lugares onde a providência lançou a sua sorte! A terra de Labão, as cidades dos siquemitas, a terra de Gósen — em toda parte o seu Deus de aliança o resguardou e o guardou. Ele não era uma figura atraente, nem merecia qualquer consideração especial. Era o "vermezinho de Jacó", mas Deus o amou na sua infinita graça, e o guardou, o disciplinou, o ensinou, e o preparou para ser o cabeça das tribos de Israel; e chegou o dia em que ele pôde dizer: "O Deus que me sustentou durante toda a minha vida até este dia, o Anjo que me livrou de todo o mal."
Alguns de vós podeis estar em lugares estranhos, lugares solitários, lugares difíceis, lugares perigosos; mas, se tomastes o Deus de Jacó como o vosso Deus de aliança, podeis descansar sem temor algum naquela antiga palavra: "Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, porque não te deixarei até que haja cumprido aquilo que te tenho falado."
"Para mim não restam lugar nem tempo,
Minha pátria está em toda parte,
Posso estar calmo e livre de cuidado
Em qualquer praia, pois Deus ali está.
"Se eu pudesse ser lançado onde Tu não estás,
Isso seria, deveras, sorte terrível,
Mas região nenhuma chamo remota,
Certo de encontrar a Deus em tudo."
- Ele nos guardará como à menina do seu olho. "Guarda-me como à menina do olho" (Sl. xvii. 8). Esta é uma bela figura, fundada na sensibilidade do globo ocular à aproximação de qualquer cisco ou partícula de poeira que se intrometa. Instintivamente a pálpebra se fecha antes que o objeto possa entrar. Não há tempo para pensar, pois a ação é intuitiva e involuntária. A ideia é que estamos tão perto de Deus como o nosso globo ocular está de nós, e somos tanto parte do corpo de Cristo como se fôssemos realmente o cristalino dos seus próprios olhos; e que Ele é tão sensível à aproximação de qualquer coisa que nos pudesse ferir quanto vós o seríeis à intrusão de um cisco flutuante ou grão de poeira no vosso olho sensível, antes mesmo que possais pensar ou orar.
"Deus é o refúgio dos seus santos,
Quando tempestades de aguda aflição investem,
Antes que possamos proferir a nossa queixa,
Eis que Ele está presente com o seu socorro."
- Ele nos guardará no seu pavilhão. "Tu os esconderás no secreto da tua presença, das intrigas dos homens; encobri-los-ás num pavilhão, da contenda das línguas" (Sl. xxxi. 20). Não lhe é preciso muito tempo para erguer esse pavilhão no lugar mais solitário e esconder os seus filhos, seguros, dentro das suas cortinas. Conta-se a história de uma assembleia escocesa de fiéis adoradores, num dos vales da pátria, nos dias em que o cruel Claverhouse caçava o sangue dos santos. De repente veio o grito da sentinela que vigiava num penhasco vizinho: que soldados se aproximavam, e a pequena companhia havia sido descoberta. A fuga era impossível, e eles simplesmente ajoelharam-se e oraram, reclamando este precioso salmo: "Tu os esconderás no teu pavilhão." Imediatamente começou a acumular-se entre as colinas uma densa névoa escocesa, e tudo ficou envolto como numa cortina. Os seus inimigos foram frustrados, e eles quieta e seguramente escaparam pelas veredas conhecidas das montanhas. Deus os havia escondido, seguros, no seu pavilhão. Talvez não tenhamos o mesmo inimigo sanguinário que os Covenanters escoceses, mas a contenda das línguas está aqui, com espadas mais afiadas e ódio mais cruel. Oh, quantas vezes achamos o salmista clamando contra as palavras envenenadas dos homens: "Que te será dado, ou que te será acrescentado, ó língua enganosa? Flechas agudas de um poderoso, com brasas de zimbro" (Sl. cxx. 3, 4). Mas Ele pode nos proteger até mesmo destas, e nos dar uma bênção por cada rajada amarga da calúnia humana. "Deixa-o amaldiçoar", disse Davi quando tentaram silenciar o velho Simei, que injuriava o rei na hora da sua tristeza; "pode ser que o Senhor me pague com bem a sua maldição de hoje." Portanto, os que sofrem sob a contenda das línguas "entreguem as suas almas ao fiel Criador, fazendo o bem."
- Ele nos guardará em perfeita paz. "Tu conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firme em ti, porque ele confia em ti" (Is. xxvi. 3). Literalmente, isto se lê: "Paz, paz." É a dupla paz com Deus e de Deus. É o original do Antigo Testamento da promessa ainda mais bela do Apóstolo, no quarto capítulo de Filipenses: "Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, em tudo, sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus, pela oração e súplica com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus." Em ambos os versículos trata-se da mesma paz, aquele descanso profundo e divino que Cristo põe no coração onde vem habitar. É a paz de Deus, e excede todo o entendimento. Não é o resultado do raciocínio ou da vista; não é porque as coisas mudaram e podemos ver a libertação chegando. Ela vem quando tudo está escuro e estranho, e nada temos senão a sua simples palavra. O assírio estava às portas de Jerusalém, e parecia não haver escape possível, quando a voz do profeta disse: "Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos assusteis; porque os que estão conosco são mais do que os que estão com ele. Conosco está o Senhor nosso Deus, para nos ajudar e para pelejar as nossas batalhas." E então acrescenta-se: "E o povo descansou." O assírio ainda estava ali, e o perigo era tão iminente quanto antes, mas veio sobre eles uma confiança irracional e sobrenatural, pois Deus tomara a seu cargo a defesa deles. Sabemos o desfecho. Quão fácil foi para Jeová, pelo toque da mão de um único anjo, deitar aquelas poderosas hostes silenciosas no pó! Assim, a paz de Deus não vem pela vista, mas pela fé. As suas condições são: "Tu conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firme em ti, porque ele confia em ti."
Alguém conta de dois quadros concorrentes sobre a paz, para os quais fora oferecido um grande prêmio. Um era uma cena bela e tranquila, um vale arborizado com um suave riacho serpenteando docemente por entre margens relvadas. Havia pássaros a chilrear, e crianças felizes a brincar, com os rebanhos deitados em verdes pastos, e a terra e o céu em repouso. O outro, o quadro que ganhou o prêmio, era um mar enfurecido, arrojando ao alto as suas ondas e a sua espuma em torno de um rochedo nu, com um navio ao longe, correndo diante do furacão com todas as velas recolhidas, e as aves marinhas rodopiando através das nuvens plúmbeas em selvagem confusão — tudo, menos paz. Mas bem no alto, numa fenda daquele rochedo nu, acima da rebentação e abrigado da tempestade, havia um ninho de pomba, com a mãe estendendo quietamente as suas asas macias sobre os seus filhotes, em perfeita paz.
Quando é o tempo de confiar?
Será quando tudo está calmo?
Quando se ergue a palma do vencedor
E a vida é um grande salmo
De paz e descanso?
Não! Mas o tempo de confiar
É quando as ondas se erguem altas,
E nuvens de tempestade varrem o céu,
E a fé só pode clamar:
Senhor, ajuda e salva.
A bela figura do texto de Filipenses é a de uma guarnição: a paz de Deus, que guarnece o coração e a mente. Aqui, a necessidade da guarnição não se deve a inimigos de fora, mas de dentro. Nada nos pode ferir de fora, se somos guardados na perfeita paz de Deus. Notai também que há duas seções desta cidadela que precisam ser guarnecidas e guardadas. Uma é o coração, a sede das dúvidas, dos temores e dos cuidados. A outra é a mente, onde os nossos pensamentos se tornam fontes de inquietação, e nos indagamos, e nos afligimos, e olhamos para diante e para trás, e olhamos para toda parte, menos para Deus. A paz de Deus pode aquietar todo o nosso pensar, e nos manter em quietude, e docemente nos dizer:
Cessa o teu pensar, cristão atribulado,
De que valem os teus ansiosos cuidados?
Deus está sempre pensando por ti;
Jesus todo fardo carrega.
Lançando sobre Ele todo o teu cuidado,
Afunda-te na sua bendita vontade,
Enquanto Ele te aconchega ao seu seio,
Docemente sussurrando: "Paz, aquieta-te."
- Ele nos guardará pelo seu poder. Este é o sentido do nosso segundo texto: "Guarnecidos pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação." É uma passagem muito preciosa. O apóstolo acaba de nos dizer que a herança está guardada para nós lá no alto. Agora ele nos diz que nós somos guardados para a herança. A herança está reservada para vós, e vós estais preservados para a herança. Mas, embora a figura da guarnição seja a mesma de Filipenses, trata-se de uma guarnição diferente. Lá era paz; aqui é poder. A guarnição da paz é para preservar a cidade dos inimigos internos; a guarnição do poder é para protegê-la dos seus inimigos externos. Uma guarnição policia as ruas; a outra guarnece as muralhas. E acrescenta força à figura notar que a palavra poder aqui, no grego, é dínamis. A guarnição está armada com artilharia celestial. Quando as tropas inglesas sob o comando de Lorde Kitchener encontraram pela primeira vez os vastos exércitos do Mahdi, o líder conquistador das hordas fanáticas do Sudão, que os superavam em número na proporção de dez para um, elas protegeram o seu acampamento com artilharia moderna, enquanto os africanos vinham contra elas com mosquetes e espingardas antiquados. Cem mil homens fortes, aquela vasta multidão arrojou-se sobre a pequena companhia de soldados ingleses, e marchou ao assalto com bandeiras esvoaçantes, cavalos a galope e esplêndido entusiasmo. O historiador descreve vividamente com quanta quietude e confiança os ingleses aguardaram o ataque, pois sabiam que tinham no seu meio um poder diante do qual aquelas legiões não podiam resistir um só instante. De súbito, as metralhadoras Maxim começaram o seu terrível estampido, e como uma saraivada vinda dos céus uma chuva de balas e granadas foi despejada sobre aquela negra hoste, e eles derreteram-se como a neve diante de um sol de verão. Era dinamite contra a mera coragem humana. Deus nos guarneceu com dinamite celestial, o poder do Espírito Santo; e, como os soldados ingleses, precisamos ter confiança nele, pois somos guardados pela dinamite de Deus, mediante a fé. Precisamos contar com a sua poderosa força, e sempre avançar com o brado de guerra: "Graças a Deus, que sempre nos conduz em triunfo."
- Ele é poderoso para nos guardar no mundo e do mal. Esta foi a oração do Mestre pelos seus discípulos. Em João xvii. 15, lemos: "Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal." Aqui há uma dupla guarda. Guardados da morte, da doença e de qualquer coisa que nos pudesse tirar do mundo, e contudo guardados do mal do mundo, e especialmente do maligno. Esta é uma expressão portentosa no original, tou ponero, o Maligno. Isto não é um mal abstrato, mas um grande Diabo pessoal, o adversário "que anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar." Mas o poder do Senhor e a guarda do Senhor se interpõem entre nós e as suas fauces devoradoras. Ele é um inimigo vencido, e devemos tratá-lo como tal, e avançar contra ele com o prestígio de um vencedor, no nome do seu Conquistador, o Senhor Jesus Cristo. Às vezes ele nos ataca pelas suas astúcias, e às vezes pelos seus dardos inflamados; mas, com o escudo da fé, seremos capazes de resistir e de apagar a ambos. Não devemos ter demasiado medo do diabo. Algumas pessoas têm tanto medo dele que quase temem deixar o Senhor agir livremente nas suas próprias reuniões. O receio do fanatismo, é de temer, tem afastado muita gente bem-intencionada do batismo do Espírito Santo. Venhamos ousadamente e tomemos tudo o que Deus tem para nós, e confiemos que Ele afastará o falsificado; pois, se pedimos pão, Ele não nos dará uma pedra, e se pedimos peixe e realmente queremos aquilo que Ele quer, Ele não nos deixará ficar com uma serpente. No nome de Jesus, e por meio do seu precioso sangue, estaremos seguros e guardados do maligno.
- Ele é poderoso para nos guardar de tropeçar. Judas diz: "Ora, àquele que é poderoso para nos guardar de tropeçar, e para vos apresentar irrepreensíveis, com grande alegria, diante da sua glória." A tradução inglesa é insuficiente. A palavra cair significa tropeçar. É claro que Ele é poderoso para nos guardar de nos perdermos, e demasiados cristãos se contentam apenas em passar, ainda que por um triz. Essa é uma pobre e ignóbil ambição. Ele é poderoso para vos guardar até mesmo de tropeçar, e para vos apresentar irrepreensíveis, com grande alegria, diante da sua glória. Se Ele é poderoso para vos guardar por um segundo, pode vos guardar por trinta e três milhões de segundos, o que significa um ano inteiro, e por quanto tempo mais confiardes nele momento a momento. Quereis erguer-vos a uma ambição mais alta, e tomá-lo para vos guardar até mesmo de escorregar, de tropicar e de tropeçar?
- Ele é poderoso para vos guardar do toque do adversário. Há uma preciosa promessa no último capítulo de I João. "Aquele que é gerado de Deus o guarda, e o maligno não lhe toca." Esta é uma leitura diferente da versão comum, mas é muito bendito dizer que o Filho unigênito guarda o santo que nele confia, e de tal modo o guarda que o maligno não lhe toca. É a velha e familiar imagem da mosca de um lado da vidraça e do pássaro do outro. O pássaro lança-se sobre a sua presa e pensa que já a tem. A mosca estremece e pensa o mesmo, mas há um lançar, e um baque, e algumas penas eriçadas, e um pássaro assustadíssimo, mas a mosca continua ali, admirada de como tudo aquilo não aconteceu. Para vós e para mim, porém, o segredo é bem claro: havia algo entre eles que o pássaro não via e a mosca esquecera. Graças a Deus, quando o diabo dá os seus mais ferozes mergulhos, há algo entre. Ele tem de passar por Jesus Cristo para chegar a vós; e se apenas permanecerdes em simples confiança, o diabo se machucará muito mais do que vós.
- Ele é poderoso para guardar os seus servos e ministros. Ouvi. "Eu, o Senhor, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios" (Is. xlii. 6). Esta bendita promessa pertence primariamente ao Senhor Jesus, mas secundariamente a todo outro verdadeiro servo de Jeová que permanece nele e trabalha por Ele. Deus segura os seus ministros na sua mão direita, e diz: "Não toqueis nos meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas." É um homem muito imprudente aquele que levianamente fala ou age contra qualquer verdadeiro servo do Senhor. Tende cuidado com o modo como criticais os servos do Mestre. Ouvi. "Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará firme, porque Deus é poderoso para o firmar." "Quem és tu, que julgas a outrem?" Se estás servindo a Cristo com coração sincero, meu irmão, não temas. Aquele a quem o Pai contempla te segurará pela mão direita, e te guardará, e te dirá: "Não temas, eu darei homens por ti, e povos pela tua vida." "Eu operarei, e quem o impedirá?" Deus te guardará, e te dirá: "Cobri-te com a sombra da minha mão, para que plantes os céus, e lances os fundamentos da terra, e digas a Sião: Tu és o meu povo." Um único soldado da cruz, firme por Jesus e confiando nele, é mais poderoso do que legiões de inimigos poderosos. Confia nele, ainda que perigos e inimigos te cerquem, e os amigos muitas vezes sejam poucos; os céus cairão e a terra se dissolverá antes que Ele possa falhar a um só dos seus servos que nele confiam.
- Ele guardará a sua causa, a sua Igreja, a sua vinha. "Cantai-lhe: Uma vinha de vinho tinto. Eu, o Senhor, a guardo; a cada momento a regarei; para que ninguém lhe faça dano, de noite e de dia a guardarei." Is. xxvii. 2-3. Às vezes parece que temos a ideia de que somos os guardiões da causa de Deus, e que Ele se esqueceu inteiramente dela, e que temos de gritar e clamar para conseguir que Ele nos ajude a cuidar da sua própria propriedade. Ora, caros amigos, o Senhor está cuidando de vós e da causa também. "Eu, o Senhor, a guardo; para que ninguém lhe faça dano, de noite e de dia a guardarei." Sem dúvida há perigos, provações, adversários; mas há mais uma coisa: o Senhor. E duas pequenas palavras são mais fortes do que todos os D's do dicionário, sejam eles dificuldade, desânimo, divisão, decadência, o diabo, ou os doutores em divindade — e essas duas palavras são MAS DEUS. Há um belo quadro profético na abertura de Zacarias, que foi escrito para consolar o povo em tempos turbulentos. Primeiro o profeta viu quatro chifres, vindos de todas as direções, chifres afiados, cruéis, poderosos, empurrando e traspassando tudo diante de si. Se ele olhava para o norte, havia ali um chifre; e para o sul, havia ali outro; e logo eles haveriam de se encontrar, e ele se veria entre os dois. Se olhava para o oriente, havia ali um chifre; e para o ocidente, havia ali outro; e eles se encontravam no seu peito desprotegido. Então a cena mudou, e ele olhou e viu quatro carpinteiros vindo nas mesmas direções, e cada um deles tinha um monte de ferramentas — um bom e forte machado, e uma serra afiada, e sem dúvida um pesado maço — e logo se podia ouvir o som dos golpes dos machados e o zumbido das serras, e eis que os chifres haviam perdido as suas pontas, e foram reduzidos a uma polpa, e tornaram-se almofadas macias que não podiam ferir nada. Amados, Deus tem um carpinteiro para cada chifre; e se a obra que estais fazendo é a obra dele, as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
- Ele é poderoso para guardar tudo o que lhe é confiado. "Eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar aquilo que lhe confiei até àquele dia" (II Tm. 1:12). A grande questão para vós e para mim é esta: quanto realmente lhe confiamos?
Capítulo 6 concluído
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