Com Cristo na Escola de Oração
George Müller e o Segredo do Seu Poder na Oração

Capítulo 33 · 33 min de leitura

George Müller e o Segredo do Seu Poder na Oração

QUANDO Deus deseja de novo ensinar à Sua Igreja uma verdade que não está sendo compreendida ou praticada, na maioria das vezes o faz suscitando algum homem para ser, em palavra e em obra, uma testemunha viva da bênção dela. E assim Deus suscitou, neste século dezenove, entre outros, George Muller, para ser Sua testemunha de que Ele é de fato Aquele que ouve a oração. Não conheço nenhum modo pelo qual as principais verdades da palavra de Deus a respeito da oração possam ser mais eficazmente ilustradas e estabelecidas do que uma breve resenha da sua vida e do que ele conta das suas experiências de oração.

Ele nasceu na Prússia em 25º de setembro de 1805, e tem, portanto, agora oitenta anos de idade. A sua vida nos primeiros tempos, mesmo depois de ter entrado na Universidade de Halle como estudante de teologia, foi perversa ao extremo. Levado por um amigo, certa noite, quando tinha apenas vinte anos de idade, a uma reunião de oração, ele ficou profundamente impressionado, e logo depois foi levado a conhecer o Salvador. Não muito tempo depois começou a ler publicações missionárias, e com o correr do tempo ofereceu-se à Sociedade de Londres para a Promoção do Cristianismo entre os Judeus. Foi aceito como estudante, mas logo percebeu que não podia em todas as coisas submeter-se às regras da Sociedade, por deixarem liberdade demasiado escassa para a direção do Espírito Santo. A ligação foi dissolvida em 1830 por consentimento mútuo, e ele tornou-se pastor de uma pequena congregação em Teignmouth. Em 1832 foi levado a Bristol, e foi como pastor da Capela de Bethesda que ele foi conduzido à obra do Lar de Órfãos e a outras obras, em conexão com as quais Deus tão notavelmente o levou a confiar na Sua palavra e a experimentar como Deus cumpre essa palavra.

Alguns extratos a respeito da sua vida espiritual prepararão o caminho para o que especialmente desejamos citar das suas experiências no tocante à oração.

“Em conexão com isto, eu mencionaria que o Senhor, muito graciosamente, me deu, desde o começo mesmo da minha vida divina, uma medida de simplicidade e de disposição infantil nas coisas espirituais, de modo que, embora eu fosse extremamente ignorante das Escrituras, e ainda de tempos em tempos fosse vencido até por pecados exteriores, contudo eu era capaz de levar os assuntos mais miúdos ao Senhor em oração. E tenho achado ‘que a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.’ Ainda que muito fraco e ignorante, contudo eu tinha agora, pela graça de Deus, algum desejo de beneficiar os outros, e aquele que outrora tão fielmente servira a Satanás procurava agora ganhar almas para Cristo.”

Foi em Teignmouth que ele foi levado a saber como usar a palavra de Deus, e a confiar no Espírito Santo como o Mestre dado por Deus para tornar clara essa palavra. Ele escreve:—

“Deus começou então a mostrar-me que a palavra de Deus somente é a nossa norma de julgamento nas coisas espirituais; que ela só pode ser explicada pelo Espírito Santo; e que, em nossos dias, tanto quanto em tempos antigos, Ele é o Mestre do Seu povo. O ofício do Espírito Santo eu não havia compreendido experimentalmente antes daquele tempo.

“Foi o meu começar a compreender este último ponto em particular que teve um grande efeito sobre mim; pois o Senhor me capacitou a submetê-lo à prova da experiência, pondo de lado os comentários, e quase todos os outros livros, e simplesmente lendo a palavra de Deus e estudando-a.

“O resultado disto foi que, na primeira noite em que me fechei no meu quarto, para me entregar à oração e à meditação sobre as Escrituras, aprendi mais em poucas horas do que havia aprendido durante um período de vários meses anteriormente.

“Mas a diferença particular foi que recebi verdadeira força para a minha alma ao fazer isso. Comecei então a experimentar, pela prova das Escrituras, as coisas que eu havia aprendido e visto, e descobri que somente aqueles princípios que resistiam à prova eram de real valor.”

Sobre a obediência à palavra de Deus, ele escreve como segue, em conexão com o seu batismo:—

“Aprouve a Deus, na Sua abundante misericórdia, trazer a minha mente a tal estado que eu estava disposto a pôr em prática na minha vida tudo o que viesse a encontrar nas Escrituras. Eu podia dizer: ‘Farei a Sua vontade,’ e foi por essa razão, creio eu, que vi qual ‘doutrina é de Deus.’—E eu observaria aqui, de passagem, que a passagem à qual acabei de aludir (João 7:17) tem sido para mim um comentário muito notável sobre muitas doutrinas e preceitos da nossa santíssima fé. Por exemplo: ‘Não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. E ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa. E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes. Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem’ (Mateus 5:39-44). ‘Vendei o que tendes, e dai esmolas’ (Lucas 12:33). ‘A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros’ (Romanos 12:8). Pode-se dizer: ‘Certamente estas passagens não podem ser tomadas literalmente, pois de que outro modo poderia o povo de Deus atravessar o mundo?’ O estado de espírito ordenado em João 7:17 fará tais objeções desvanecerem-se. QUEM QUER QUE ESTEJA DISPOSTO A PÔR EM PRÁTICA estes mandamentos do Senhor LITERALMENTE, será, creio eu, levado comigo a ver que tomá-los LITERALMENTE é a vontade de Deus.—Os que assim os tomam serão sem dúvida muitas vezes lançados em dificuldades, difíceis de suportar para a carne, mas estas terão a tendência de fazê-los sentir constantemente que são estrangeiros e peregrinos aqui, que este mundo não é o seu lar, e assim lançá-los mais sobre Deus, que certamente nos ajudará através de qualquer dificuldade em que possamos ser lançados ao procurar agir em obediência à Sua palavra.”

Esta rendição implícita à palavra de Deus levou-o a certas ideias e a certa conduta no tocante ao dinheiro, que influenciaram poderosamente a sua vida futura. Tinham a sua raiz na convicção de que o dinheiro era uma mordomia divina, e que, portanto, todo dinheiro tinha de ser recebido e distribuído em comunhão direta com o próprio Deus. Isto o levou à adoção das quatro grandes regras seguintes: 1. Não receber nenhum salário fixo, tanto porque na sua arrecadação havia muitas vezes muito que estava em desacordo com a oferta voluntária com que o serviço de Deus deve ser mantido, como no seu recebimento um perigo de depositar mais dependência em fontes humanas de renda do que no próprio Deus vivo. 2. Nunca pedir ajuda a nenhum ser humano, por maior que fosse a necessidade, mas dar a conhecer as suas carências ao Deus que prometeu cuidar dos Seus servos e ouvir a sua oração. 3. Tomar este mandamento (Lucas 12:33) literalmente, “Vende o que tens e dá esmolas,” e nunca entesourar dinheiro, mas gastar tudo o que Deus lhe confiasse com os pobres de Deus, na obra do Seu reino. 4. Também tomar Romanos 13:8, “Não devais nada a ninguém,” literalmente, e nunca comprar a crédito, nem estar em dívida por coisa alguma, mas confiar que Deus proveria.

Este modo de viver não foi fácil no início. Mas Muller testifica que foi grandemente abençoado ao trazer a alma a repousar em Deus, e a atraí-la a uma união mais estreita com Ele mesmo quando inclinada a recair. “Pois não serve, não é possível, viver em pecado e, ao mesmo tempo, pela comunhão com Deus, fazer descer do céu tudo o que se necessita para a vida que agora é.”

Não muito depois do seu estabelecimento em Bristol, foi fundada “A INSTITUIÇÃO DE CONHECIMENTO ESCRITURAL PARA O PAÍS E O EXTERIOR”, para auxiliar em obras de Escola Diurna, Escola Dominical, Missão e Bíblia. Desta Instituição a obra do Lar de Órfãos, pela qual o Sr. Muller é mais conhecido, tornou-se um ramo. Foi em 1834 que o seu coração foi tocado pelo caso de um órfão trazido a Cristo numa das escolas, mas que teve de ir para um asilo de pobres onde as suas carências espirituais não seriam atendidas. Deparando pouco depois com uma biografia de Franke, ele escreve (20 de novembro de 1835): “Hoje tive isto muito posto no meu coração: não mais apenas pensar sobre o estabelecimento de um Lar de Órfãos, mas realmente pôr mãos à obra; e tenho estado muito em oração a respeito disso, a fim de averiguar a mente do Senhor. Que Deus o torne claro.” E de novo, em 25 de novembro: “Tenho estado outra vez muito em oração ontem e hoje sobre o Lar de Órfãos, e estou cada vez mais convencido de que é de Deus. Que Ele, na Sua misericórdia, me guie. As três principais razões são: 1. Que Deus seja glorificado, se lhe aprouver prover-me dos meios, ao ver-se que não é coisa vã confiar Nele; e que assim a fé dos Seus filhos possa ser fortalecida. 2. O bem-estar espiritual das crianças sem pai e sem mãe. 3. O seu bem-estar temporal.”

Depois de alguns meses de oração e de espera em Deus, uma casa foi alugada, com lugar para trinta crianças, e com o correr do tempo mais três, contendo ao todo 120 crianças. A obra foi conduzida desse modo por dez anos, os suprimentos para as necessidades dos órfãos sendo pedidos e recebidos de Deus somente. Foi muitas vezes um tempo de aguda necessidade e de muita oração, mas uma prova de fé mais preciosa do que o ouro foi achada para louvor, honra e glória de Deus. O Senhor estava preparando o Seu servo para coisas maiores. Pela Sua providência e pelo Seu Espírito Santo, o Sr. Muller foi levado a desejar, e a esperar em Deus até que dele recebesse, a promessa segura de £15,000 para um Lar que contivesse 300 crianças. Este primeiro Lar foi aberto em 1849. Em 1858, um segundo e um terceiro Lar, para mais 950 órfãos, foi aberto, ao custo de £35,000. E em 1869 e 1870, um quarto e um quinto Lar, para mais 850, à despesa de £50,000, perfazendo o número total dos órfãos em 2100.

Além desta obra, Deus lhe deu quase tanto quanto para a construção dos Lares de Órfãos e a manutenção dos órfãos, para outra obra: o sustento de escolas e missões, a circulação de Bíblias e folhetos. Ao todo ele recebeu de Deus, para ser gasto na Sua obra, durante estes cinquenta anos, mais de um milhão de libras esterlinas. Quão pouco ele sabia, notemos com cuidado, quando renunciou ao seu pequeno salário de £35 por ano em obediência à direção da palavra de Deus e do Espírito Santo, o que Deus estava preparando para lhe dar como recompensa da obediência e da fé; e quão maravilhosamente a palavra se havia de cumprir para ele: “Foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei.”

E estas coisas aconteceram como exemplo para nós. Deus nos chama a ser imitadores de George Muller, assim como ele o é de Cristo. O Deus dele é o nosso Deus; as mesmas promessas são para nós; o mesmo serviço de amor e de fé em que ele trabalhou nos chama por todos os lados. Consideremos, em conexão com as nossas lições na escola da oração, o modo pelo qual Deus deu a George Muller tamanho poder como homem de oração: encontraremos nele a mais notável ilustração de algumas das lições que temos estudado com o bendito Mestre na palavra. Especialmente ficará impressa em nós a Sua primeira grande lição: que, se quisermos vir a Ele pelo caminho que Ele apontou, com petições definidas, dadas a conhecer a nós pelo Espírito através da palavra como estando de acordo com a vontade de Deus, podemos crer com toda a confiança que tudo quanto pedirmos será feito.

ORAÇÃO E A PALAVRA DE DEUS.

Temos visto mais de uma vez que o ouvir de Deus a nossa voz depende do nosso ouvir a Sua voz. (Ver as Lições 22 e 23.) Não devemos apenas ter uma promessa especial para alegar, quando fazemos um pedido especial, mas toda a nossa vida deve estar sob a supremacia da palavra: a palavra deve estar habitando em nós. O testemunho de George Muller sobre este ponto é dos mais instrutivos. Ele nos conta como a descoberta do verdadeiro lugar da palavra de Deus, e do ensino do Espírito junto com ela, foi o começo de uma nova era na sua vida espiritual. A respeito disso ele escreve:—

“Ora, o modo escriturístico de raciocinar teria sido: o próprio Deus condescendeu em tornar-se autor, e eu sou ignorante a respeito daquele precioso livro que o Seu Espírito Santo fez ser escrito por intermédio dos Seus servos, e que contém aquilo que eu deveria saber, e cujo conhecimento me conduzirá à verdadeira felicidade; portanto, eu deveria ler repetidas vezes este livro preciosíssimo, este livro dos livros, com a maior seriedade, com a maior oração e com muita meditação; e nesta prática eu deveria continuar todos os dias da minha vida. Pois eu tinha consciência, embora o lesse mas pouco, de que quase nada sabia dele. Mas, em vez de agir assim e de ser levado pela minha ignorância da palavra de Deus a estudá-la mais, a minha dificuldade em compreendê-la, e o pouco prazer que nela tinha, tornavam-me descuidado em lê-la (pois muita leitura orante da palavra dá não apenas mais conhecimento, mas aumenta o deleite que temos em lê-la); e assim, como muitos crentes, eu praticamente preferi, durante os primeiros quatro anos da minha vida divina, as obras de homens não inspirados aos oráculos do Deus vivo. A consequência foi que permaneci uma criança, tanto em conhecimento como em graça. Em conhecimento, digo eu; pois todo o verdadeiro conhecimento deve ser derivado, pelo Espírito, da palavra. E como eu negligenciava a palavra, fiquei por quase quatro anos tão ignorante que nem claramente conhecia sequer os pontos fundamentais da nossa santa fé. E esta falta de conhecimento muito tristemente me impediu de andar firmemente nos caminhos de Deus. Pois, quando aprouve ao Senhor, em agosto de 1829, trazer-me realmente às Escrituras, a minha vida e o meu andar tornaram-se muito diferentes. E, embora desde então eu tenha ficado muito aquém do que eu poderia e deveria ser, contudo, pela graça de Deus, tenho sido capacitado a viver muito mais perto Dele do que antes. Se algum crente ler isto que praticamente prefere outros livros às Sagradas Escrituras, e que desfruta os escritos dos homens muito mais do que a palavra de Deus, seja advertido pela minha perda. Considerarei que este livro terá servido para fazer muito bem, se aprouver ao Senhor, por seu intermédio, levar alguns do Seu povo a não mais negligenciar as Sagradas Escrituras, mas a dar-lhes aquela preferência que até aqui têm concedido aos escritos dos homens.

“Antes de deixar este assunto, eu apenas acrescentaria: se o leitor compreende muito pouco da palavra de Deus, ele deve lê-la muitíssimo; pois o Espírito explica a palavra pela palavra. E, se ele desfruta pouco a leitura da palavra, essa é justamente a razão pela qual ele deve lê-la muito; pois a leitura frequente das Escrituras cria um deleite nelas, de modo que, quanto mais as lemos, mais desejamos fazê-lo.

“Acima de tudo, ele deve procurar deixar assentado na sua própria mente que só Deus, pelo Seu Espírito, pode ensiná-lo, e que, portanto, visto que Deus quer ser consultado quanto às bênçãos, convém-lhe buscar a bênção de Deus antes da leitura, e também durante a leitura.

“Além disso, ele deve deixar assentado na sua mente que, embora o Espírito Santo seja o melhor e suficiente Mestre, contudo este Mestre nem sempre ensina imediatamente quando o desejamos, e que, portanto, talvez tenhamos de suplicar-Lhe repetidas vezes a explicação de certas passagens; mas que Ele certamente nos ensinará afinal, se de fato buscamos a luz com oração, com paciência e tendo em vista a glória de Deus.”

Encontramos no seu diário menção frequente de que ele passava duas e três horas em oração sobre a palavra para o alimento da sua vida espiritual. Como fruto disso, quando ele tinha necessidade de força e de encorajamento na oração, as promessas individuais não eram para ele tantos argumentos tirados de um livro para serem usados com Deus, mas palavras vivas que ele havia ouvido a voz viva do Pai falar-lhe, e que ele podia agora trazer ao Pai em fé viva.

ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS.

Uma das maiores dificuldades dos jovens crentes é saber como podem descobrir se aquilo que desejam está de acordo com a vontade de Deus. Considero uma das mais preciosas lições que Deus quer ensinar através da experiência de George Muller o fato de que Ele está disposto a dar a conhecer, quanto a coisas das quais a Sua palavra nada diz diretamente, que são a Sua vontade para nós, e que podemos pedi-las. O ensino do Espírito, não sem a palavra nem contra a palavra, mas como algo acima e além dela, em acréscimo a ela, sem o qual não podemos ver a vontade de Deus, é a herança de todo crente. É por meio DA PALAVRA, E DA PALAVRA SOMENTE, que o Espírito ensina, aplicando os princípios gerais ou as promessas à nossa necessidade especial. E é O ESPÍRITO, E O ESPÍRITO SOMENTE, quem pode realmente fazer da palavra uma luz no nosso caminho, seja o caminho do dever no nosso andar diário, seja o caminho da fé na nossa aproximação de Deus. Procuremos notar em que simplicidade e docilidade infantis foi que a descoberta da vontade de Deus foi tão segura e tão claramente dada a conhecer ao Seu servo.

Quanto à construção do primeiro Lar e à certeza que ele tinha de ser a vontade de Deus, ele escreve em maio de 1850, logo depois de ter sido aberto, falando das grandes dificuldades que havia, e de quão pouco provável parecia à natureza que fossem removidas: “Mas, embora a perspectiva diante de mim tivesse sido esmagadora se eu a tivesse olhado naturalmente, nem uma só vez me foi permitido questionar como terminaria. Pois, assim como desde o começo eu estava certo de que era a vontade de Deus que eu fosse à obra de construir para Ele este grande Lar de Órfãos, assim também desde o começo eu estava tão certo de que tudo seria concluído como se o Lar já estivesse cheio.”

O modo pelo qual ele descobriu qual era a vontade de Deus revela-se com especial clareza no seu relato da construção do segundo Lar; e peço ao leitor que estude com cuidado a lição que a narrativa transmite:—

“Dez. 5, 1850.—Nestas circunstâncias, só posso orar para que o Senhor, na Sua terna misericórdia, não permita que Satanás obtenha vantagem sobre mim. Pela graça de Deus, o meu coração diz: Senhor, se eu pudesse ter certeza de que é a Tua vontade que eu avance nesta questão, eu o faria de bom grado; e, por outro lado, se eu pudesse ter certeza de que estes são pensamentos vãos, tolos e orgulhosos, que não procedem de Ti, eu, pela Tua graça, os odiaria, e inteiramente os poria de lado.

“A minha esperança está em Deus: Ele me ajudará e me ensinará. Julgando, porém, pelos Seus modos anteriores de agir comigo, não seria coisa estranha para mim, nem surpreendente, se Ele me chamasse a trabalhar ainda mais largamente deste modo.

“Os pensamentos sobre ampliar a obra dos órfãos não surgiram por causa de uma abundância de dinheiro ter entrado ultimamente; pois tive ultimamente de esperar cerca de sete semanas em Deus, enquanto pouco, muito pouco comparativamente, entrava, isto é, cerca de quatro vezes mais saía do que entrava; e, se o Senhor não me tivesse enviado antes grandes somas, teríamos ficado deveras aflitos.

“Senhor! como pode o Teu servo conhecer a Tua vontade nesta questão? Queiras Tu ensiná-lo!

Dezembro 11.—Durante os últimos seis dias, desde que escrevi o que precede, tenho estado, dia após dia, esperando em Deus a respeito desta questão. Ela tem estado geralmente, mais ou menos o dia todo, no meu coração. Quando tenho estado acordado à noite, não tem andado longe dos meus pensamentos. Contudo, tudo isto sem a mínima excitação. Estou perfeitamente calmo e tranquilo a respeito dela. A minha alma se regozijaria em avançar neste serviço, se eu pudesse ter certeza de que o Senhor quereria que eu o fizesse; pois então, não obstante as inumeráveis dificuldades, tudo iria bem; e o Seu Nome seria magnificado.

“Por outro lado, se eu estivesse seguro de que o Senhor quereria que eu me contentasse com a minha presente esfera de serviço, e que eu não deveria orar sobre ampliar a obra, pela Sua graça eu poderia, sem esforço, ceder alegremente a isso; pois Ele me trouxe a tal estado de coração que eu só desejo agradar-Lhe nesta questão. Além disso, até agora não falei sobre esta coisa nem mesmo à minha amada esposa, a companheira das minhas alegrias, tristezas e labores por mais de vinte anos; nem é provável que o faça por algum tempo ainda: pois prefiro esperar tranquilamente no Senhor, sem conversar sobre este assunto, a fim de que assim eu possa ser guardado mais facilmente, pela Sua bênção, de ser influenciado por coisas de fora. O peso da minha oração a respeito desta questão é que o Senhor não permita que eu cometa um erro, e que Ele me ensine a fazer a Sua vontade.

“Dezembro 26.—Quinze dias se passaram desde que escrevi o parágrafo precedente. Todos os dias desde então tenho continuado a orar sobre esta questão, e isso com boa medida de fervor, com a ajuda de Deus. Quase não passou uma hora durante estes dias em que, estando acordado, esta questão não estivesse mais ou menos diante de mim. Mas tudo sem sequer uma sombra de excitação. Não converso com ninguém sobre ela. Até agora não o fiz nem mesmo com a minha querida esposa. Disto ainda me abstenho, e trato com Deus somente a respeito da questão, a fim de que nenhuma influência exterior e nenhuma excitação exterior me impeçam de alcançar uma clara descoberta da Sua vontade. Tenho a mais plena e mais tranquila certeza de que Ele me mostrará claramente a Sua vontade. Esta noite tive novamente uma solene e especial ocasião de oração, para buscar conhecer a vontade de Deus. Mas, enquanto continuo a rogar e a suplicar ao Senhor que não me permita ser iludido neste negócio, posso dizer que quase não me resta dúvida na mente quanto a qual será o desfecho, isto é, que eu deva avançar nesta questão. Como esta, porém, é uma das mais importantes decisões que já tomei, julgo que não posso proceder nesta questão com cautela, oração e deliberação em excesso. Não tenho pressa nisso. Eu poderia esperar anos, pela graça de Deus, se esta fosse a Sua vontade, antes mesmo de dar um único passo em direção a esta coisa, ou mesmo de falar a alguém sobre ela; e, por outro lado, eu poria mãos à obra amanhã, se o Senhor me mandasse fazê-lo. Esta calma de espírito, este não ter vontade própria na questão, este só desejar agradar ao meu Pai celestial nela, este só buscar a Sua honra e não a minha nela; este estado de coração, digo eu, é a mais plena certeza para mim de que o meu coração não está sob uma excitação carnal, e de que, se eu for assim ajudado a prosseguir, conhecerei a vontade de Deus em plenitude. Mas, enquanto escrevo isto, não posso deixar de acrescentar ao mesmo tempo que eu de fato anseio pela honra e pelo glorioso privilégio de ser cada vez mais usado pelo Senhor.

“Desejo que me seja permitido prover instrução escriturística para mil órfãos, em vez de fazê-lo para 300. Desejo expor as Sagradas Escrituras regularmente a mil órfãos, em vez de fazê-lo a 300. Desejo que se manifeste ainda mais abundantemente que Deus é ainda Aquele que ouve e responde à oração, e que Ele é o Deus vivo agora como sempre foi e sempre será, quando Ele, simplesmente em resposta à oração, tiver condescendido em prover-me de uma casa para 700 órfãos e de meios para sustentá-los. Esta última consideração é o ponto mais importante na minha mente. A honra do Senhor é o ponto principal para mim em toda esta questão; e justamente porque é assim, se Ele fosse mais glorificado por eu não avançar neste negócio, eu, pela Sua graça, ficaria perfeitamente contente em desistir de todos os pensamentos sobre outro Lar de Órfãos. Certamente, em tal estado de espírito, obtido pelo Espírito Santo, Tu, ó meu Pai celestial, não permitirás que o Teu filho se engane, muito menos seja iludido. Com a ajuda de Deus, continuarei ainda, dia após dia, a esperar Nele em oração, a respeito desta coisa, até que Ele me mande agir.

“Jan. 2, 1851.—Há uma semana escrevi o parágrafo precedente. Durante esta semana continuei a ser ajudado dia após dia, e mais de uma vez cada dia, a buscar a direção do Senhor sobre outro Lar de Órfãos. O peso da minha oração continuou sendo que Ele, na Sua grande misericórdia, me guardasse de cometer um erro. Durante a última semana, o livro de Provérbios entrou no curso da minha leitura das Escrituras, e o meu coração foi refrigerado a respeito deste assunto pelas seguintes passagens: ‘Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas’ (Provérbios 3:5,6). Pela graça de Deus, eu de fato reconheço o Senhor em todos os meus caminhos, e nesta coisa em particular; tenho, portanto, a confortadora certeza de que Ele endireitará as minhas veredas a respeito desta parte do meu serviço, quanto a se estarei ocupado nela ou não. Além disso: ‘A integridade dos retos os preservará’ (Provérbios 11:3). Pela graça de Deus, eu sou reto neste negócio. O meu honesto propósito é dar glória a Deus. Portanto, espero ser guiado retamente. Além disso: ‘Confia ao Senhor as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos’ (Provérbios 16:3). Eu de fato confio as minhas obras ao Senhor, e portanto espero que os meus pensamentos sejam estabelecidos. O meu coração vem chegando cada vez mais a uma calma, tranquila e assentada certeza de que o Senhor condescenderá em usar-me ainda mais na obra dos órfãos. Eis aqui, Senhor, o Teu servo.”

Quando mais tarde decidiu construir duas casas adicionais, as de nº 4 e 5, ele escreve assim de novo:—

“Doze dias se passaram desde que escrevi o último parágrafo. Continuei, dia após dia, a ser capacitado a esperar no Senhor no tocante a ampliar a obra dos órfãos, e tenho estado durante todo este período também em perfeita paz, que é o resultado de buscar nesta coisa somente a honra do Senhor e o benefício temporal e espiritual dos meus semelhantes. Sem esforço eu poderia, pela Sua graça, pôr de lado todos os pensamentos sobre todo este assunto, se apenas tivesse a certeza de que é a vontade de Deus que eu o faça; e, por outro lado, avançaria imediatamente, se Ele quisesse que fosse assim. Continuei a guardar esta questão inteiramente para mim mesmo. Embora já faça cerca de sete semanas que, dia após dia, mais ou menos, a minha mente tem estado exercitada sobre ela, e desde que tenho orado diariamente sobre ela, contudo nem um único ser humano sabe disso. Até agora não a mencionei nem mesmo à minha querida esposa, a fim de que assim, esperando tranquilamente em Deus, eu não fosse influenciado pelo que me pudesse ser dito sobre o assunto. Esta noite foi particularmente reservada para a oração, suplicando ao Senhor mais uma vez que não permita que eu me engane nesta coisa, e muito menos que seja iludido pelo diabo. Procurei também deixar passar diante da minha mente todas as razões contra construir outro Lar de Órfãos, e todas as razões a favor de fazê-lo: e agora, para maior clareza e precisão, escrevê-las. . . .

“Muito, porém, quanto as nove razões precedentes pesem comigo, contudo elas não me decidiriam se não houvesse mais uma. É esta. Depois de ter, durante meses, ponderado a questão, e de ter olhado para ela em todos os seus aspectos e com todas as suas dificuldades, e então de ter sido finalmente levado, depois de muita oração, a decidir por esta ampliação, a minha mente está em paz. A criança que repetidas vezes suplicou ao seu Pai celestial que não lhe permitisse ser iludida, nem mesmo cometer um erro, está em paz, perfeitamente em paz a respeito desta decisão; e tem assim a certeza de que a decisão a que se chegou, depois de muita oração durante semanas e meses, é a direção do Espírito Santo; e portanto se propõe a avançar, crendo com toda a confiança que não será confundida, pois confia em Deus. Muitas e grandes podem ser as suas dificuldades; milhares e dezenas de milhares de orações podem ter subido a Deus, antes que a resposta plena possa ser obtida; muito exercício de fé e de paciência pode ser requerido; mas no fim ver-se-á novamente que o Seu servo, que confia Nele, não foi confundido.”

ORAÇÃO E A GLÓRIA DE DEUS.

Procuramos mais de uma vez inculcar a verdade de que, enquanto ordinariamente buscamos as razões de as nossas orações não serem ouvidas na coisa que pedimos não estar de acordo com a vontade de Deus, a Escritura nos adverte a encontrar a causa em nós mesmos, em não estarmos no estado certo ou em não pedirmos no espírito certo. A coisa pode estar em plena harmonia com a Sua vontade, mas o pedir, o espírito do suplicante, não; então não somos ouvidos. Assim como a grande raiz de todo pecado é o eu e a busca de si mesmo, assim não há nada que, mesmo nos nossos desejos mais espirituais, tão eficazmente impeça Deus de responder como isto: oramos para o nosso próprio prazer ou glória. A oração, para ter poder e prevalecer, deve pedir a glória de Deus; e o homem só pode fazer isso na medida em que está vivendo para a glória de Deus.

Em George Muller temos um dos mais notáveis exemplos já registrados do Espírito Santo de Deus levando um homem, deliberada e sistematicamente, no início de um curso de oração, a fazer da glorificação de Deus o seu primeiro e único objetivo. Ponderemos bem o que ele diz, e aprendamos a lição que Deus quer nos ensinar através dele:—

“Eu tinha constantemente casos trazidos diante de mim, que provavam que uma das coisas especiais de que os filhos de Deus tinham necessidade em nossos dias era ter a sua fé fortalecida.

“Eu ansiava, portanto, por ter algo para apontar aos meus irmãos, como uma prova visível de que o nosso Deus e Pai é o mesmo Deus fiel que sempre foi; tão disposto como sempre a PROVAR ser o DEUS VIVO em nossos dias como outrora, a todos os que põem a sua confiança Nele.

“O meu espírito ansiava por ser instrumental em fortalecer a sua fé, dando-lhes não apenas exemplos da palavra de Deus, da Sua disposição e capacidade de ajudar todos os que se apoiam Nele, mas mostrar-lhes por provas que Ele é o mesmo em nossos dias. Eu sabia que a palavra de Deus deveria ser suficiente, e, pela graça, ela era suficiente para mim; mas ainda assim eu considerava que deveria dar uma mão de ajuda aos meus irmãos.

“Julguei-me, portanto, obrigado a ser servo da Igreja de Cristo, no ponto particular no qual eu havia obtido misericórdia; a saber, em ser capaz de tomar Deus pela Sua palavra e apoiar-me nela. O primeiro objetivo da obra foi, e ainda é: que Deus fosse magnificado pelo fato de os órfãos ao meu cuidado serem providos de tudo o que necessitam, somente por oração e fé, sem que ninguém seja pedido; e assim se pode ver que Deus é FIEL AINDA, E OUVE A ORAÇÃO AINDA.

“Tenho novamente, nestes últimos dias, orado muito sobre o Lar de Órfãos, e frequentemente examinei o meu coração; para que, se fosse de algum modo o meu desejo estabelecê-lo por amor de gratificar a mim mesmo, eu pudesse descobri-lo. Pois, como desejo somente a glória do Senhor, ficarei contente em ser instruído por intermédio do meu irmão, se a questão não for Dele.

“Quando comecei a obra dos órfãos em 1835, o meu principal objetivo era a glória de Deus, dando uma demonstração prática do que poderia ser realizado simplesmente por intermédio da oração e da fé, a fim de assim beneficiar a Igreja em geral, e levar um mundo descuidado a ver a realidade das coisas de Deus, mostrando-lhes nesta obra que o Deus vivo é ainda, como há 4000 anos, o Deus vivo. Este meu alvo tem sido abundantemente honrado. Multidões de pecadores foram assim convertidas, multidões de filhos de Deus em todas as partes do mundo foram beneficiadas por esta obra, tal como eu havia antecipado. Mas quanto maior a obra tem crescido, tanto maior tem sido a bênção, concedida justamente do modo pelo qual eu buscava a bênção: pois a atenção de centenas de milhares foi atraída para a obra; e muitas dezenas de milhares vieram vê-la. Tudo isto me leva a desejar cada vez mais trabalhar deste modo, a fim de trazer glória ainda maior ao Nome do Senhor. Que Ele seja contemplado, magnificado, admirado, confiado, apoiado em todos os tempos, é o meu alvo neste serviço; e assim particularmente nesta pretendida ampliação. Que se veja quanto um pobre homem, simplesmente confiando em Deus, pode realizar por meio da oração; e que assim outros filhos de Deus sejam levados a levar adiante a obra de Deus em dependência Dele; e que os filhos de Deus sejam levados a confiar Nele cada vez mais nas suas posições e circunstâncias individuais, por isso sou levado a esta nova ampliação.”

ORAÇÃO E A CONFIANÇA EM DEUS.

Há outros pontos sobre os quais eu teria prazer em apontar o que se encontra na narrativa do Sr. Muller, mas mais um deve bastar. É a lição da firme e inabalável confiança na promessa de Deus como o segredo da oração perseverante. Se uma vez tivermos, em submissão ao ensino do Espírito na palavra, lançado mão da promessa de Deus, e crido que o Pai nos ouviu, não devemos permitir que, por qualquer demora ou por aparências desfavoráveis, sejamos abalados na nossa fé.

“A resposta plena às minhas orações diárias estava longe de ser realizada; contudo, houve abundante encorajamento concedido pelo Senhor para continuar em oração. Mas suponhamos, mesmo, que muito menos tivesse entrado do que foi recebido, ainda assim, depois de ter chegado à conclusão, sobre fundamentos escriturísticos, depois de muita oração e autoexame, eu deveria ter prosseguido sem vacilar, no exercício da fé e da paciência a respeito deste objetivo; e assim todos os filhos de Deus, uma vez convencidos de que qualquer coisa que trazem diante de Deus em oração está de acordo com a Sua vontade, devem continuar em oração crente, esperançosa e perseverante, até que a bênção seja concedida. Assim, eu mesmo estou agora esperando em Deus por certas bênçãos, pelas quais O tenho suplicado diariamente por dez anos e seis meses, sem a interrupção de um só dia. A resposta plena ainda não foi dada quanto à conversão de certas pessoas, embora, entrementes, eu tenha recebido muitos milhares de respostas à oração. Também tenho orado diariamente, sem interrupção, pela conversão de outras pessoas por cerca de dez anos, por outras seis ou sete anos, por outras de três ou dois anos; e ainda a resposta não foi concedida quanto àquelas pessoas, ao passo que, entrementes, muitos milhares das minhas orações foram respondidas, e também almas convertidas, pelas quais eu vinha orando. Ponho ênfase particular nisto para benefício daqueles que possam supor que eu preciso apenas pedir a Deus, e receber imediatamente; ou que eu poderia orar a respeito de qualquer coisa, e a resposta certamente viria. Só se pode esperar obter respostas a orações que estejam de acordo com a mente de Deus; e mesmo então, a paciência e a fé podem ser exercitadas por muitos anos, tal como as minhas são exercitadas, na questão à qual me referi; e ainda assim eu continuo diariamente em oração, e esperando a resposta, e tão certamente esperando a resposta, que muitas vezes tenho agradecido a Deus que Ele certamente a dará, embora agora, por dezenove anos, a fé e a paciência tenham sido assim exercitadas. Sejam encorajados, caros cristãos, a com renovado fervor entregar-se à oração, se apenas puderem ter a certeza de que pedem coisas que são para a glória de Deus.

“Mas o ponto mais notável é este: que £6, 6s. 6d. da Escócia me supriram, até onde se pode saber agora, de todos os meios necessários para equipar e promover as Novas Casas de Órfãos. Seis anos e oito meses tenho estado, dia após dia, e geralmente várias vezes por dia, pedindo ao Senhor que me desse os meios necessários para esta ampliação da obra dos órfãos, a qual, segundo os cálculos feitos na primavera de 1861, parecia ser de cerca de cinquenta mil libras: a totalidade desta quantia eu havia agora recebido. Louvo e magnifico o Senhor por ter posto esta ampliação da obra no meu coração, e por me ter dado coragem e fé para ela; e, acima de tudo, por sustentar a minha fé dia após dia sem vacilar. Quando a última porção do dinheiro foi recebida, eu não estava mais seguro a respeito do todo do que estava no tempo em que não havia recebido uma só doação para esta grande soma. Eu estava, no começo, depois de uma vez ter averiguado a Sua mente, por meio da mais paciente e sondadora espera em Deus, tão plenamente certo de que Ele a realizaria como se as duas casas, com as suas centenas de órfãos a ocupá-las, já estivessem diante de mim. Faço aqui algumas observações por amor dos jovens crentes em conexão com este assunto: 1. Sejam lentos em tomar novos passos no serviço do Senhor, ou no seu negócio, ou nas suas famílias: pesem tudo bem; pesem tudo à luz das Sagradas Escrituras e no temor de Deus. 2. Procurem não ter vontade própria, a fim de averiguar a mente de Deus, quanto a quaisquer passos que se proponham a dar, de modo que possam honestamente dizer que estão dispostos a fazer a vontade de Deus, se apenas lhe aprouver instruí-los. 3. Mas, quando tiverem descoberto qual é a vontade de Deus, busquem a Sua ajuda, e busquem-na fervorosa, perseverante, paciente, crente e esperançosamente; e certamente, no Seu próprio tempo e do Seu próprio modo, a obterão.

“Supor que temos dificuldade somente com o dinheiro seria um engano: ocorrem centenas de outras carências e de outras dificuldades. É coisa rara passar um dia sem alguma dificuldade ou alguma carência; mas muitas vezes há muitas dificuldades e muitas carências a serem enfrentadas e vencidas no mesmo dia. Todas estas são enfrentadas pela oração e pela fé, o nosso remédio universal; e nunca fomos confundidos. A oração paciente, perseverante e crente, oferecida a Deus, no Nome do Senhor Jesus, sempre, mais cedo ou mais tarde, trouxe a bênção. Não desespero, pela graça de Deus, de obter qualquer bênção, contanto que eu possa ter a certeza de que seria para algum bem real, e para a glória de Deus.

Capítulo 33 concluído

George Müller e o Segredo do Seu Poder na Oração

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