Capítulo 3 · 21 min de leitura
Três Tipos de Fé
Quando estudo as Escrituras, encontro três tipos de fé: a fé salvadora, o fruto da fé e o dom da fé.
A Fé Salvadora “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus - não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9).
Esta é a experiência de todos aqueles que nasceram de novo - nascidos do Espírito. Reconhecemos que somos pecadores, sem qualquer esperança neste mundo e desesperadamente necessitados da intervenção de Deus em nossas vidas. Andamos em trevas, injustos, e estranhos às Suas promessas e bênçãos.
Se não fosse pelo fato de que Deus entrou na nossa condição humana e nos revelou o Seu amor através da morte do Seu Filho na cruz, ainda estaríamos mortos em nossos pecados e miseráveis; no entanto, a justiça de Deus nos foi revelada, “a justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os que creem” (Romanos 3:22).
Paulo declara que Deus justifica todos os que têm fé em Jesus (Romanos 3:26). Que palavra maravilhosa! Justificado - como se eu jamais tivesse pecado! É assim que Deus agora nos vê. Ele nos vê ‘no Seu Filho’ e não em nosso pecado. Foi, em primeiro lugar, a Sua graça em ação. Ele nos mostrou um favor que não era merecido.
De fato, uma das muitas definições de graça é “favor imerecido;” no entanto, a definição de que mais gosto é este acróstico sobre a palavra inglesa GRACE (“graça”): G od’s R iches A t C hrist’s E xpense — ou seja, as Riquezas de Deus à Custa de Cristo. Ele pagou o preço para que eu pudesse receber todas as bênçãos desta maravilhosa vida cristã.
Já que falamos de graça, você já considerou a diferença entre graça e misericórdia? Deixe-me apresentar esta distinção para a sua bênção: graça é Deus me tratar como eu não mereço, ao passo que misericórdia é Deus não me tratar como eu mereço!
Este dom da graça, vindo de Deus, precisa ser recebido pela fé, à qual chamei de fé salvadora; contudo, até isto é um dom de Deus. Não consigo crer com fé a menos que Deus me dê a capacidade de fazê-lo!
Não há em mim nenhuma fonte de fé. Posso fazer a escolha de crer, e posso querer crer, mas a capacidade de exercer a fé salvadora está além de mim. Posso crer com a cabeça, mas preciso crer com o coração, pois é isso que diferencia aqueles que foram justificados daqueles que ainda estão em seus pecados.
Durante dois anos tive o privilégio de lecionar em uma Academia Judaica. Meu cargo era o de Chefe do Departamento de Ciências, mas, perto do fim do meu tempo naquela escola, fui convidado a falar à turma do último ano a respeito da fé cristã. O professor responsável por aquela turma me disse que estavam estudando Religião Comparada e que “o assunto de hoje é o Cristianismo!” Apenas uma aula para estudar aquilo a que muitos dedicam a vida inteira – e ainda assim sem compreender!
Na manhã seguinte, pediram-me que fosse ver o rabino sênior, um encontro que não me agradava, pois ele não havia participado do convite original para que eu falasse aos alunos.
Ele me recebeu calorosamente, o que me deixou à vontade, e então me contou sobre a sua experiência com aqueles mesmos alunos naquela manhã. “Nunca os vi tão animados e tão ansiosos para falar sobre Deus,” disse ele. “Ficaram admirados de encontrar um cientista que também é um homem de fé.”
Que triste é que tantas pessoas tenham essa ilusão. Minha experiência é que uma proporção relativamente alta de cientistas são também homens de grande fé. De fato, muitos diriam que creem em Deus porque, como cientistas, precisam fazer perguntas verdadeiras sobre a vida, e encontram as únicas respostas no crer!
O rabino continuou: “O que me entristece é que os meus alunos só creem em Deus com a cabeça, e eu não sei como fazer isso chegar ao coração deles!”
Eu lhe disse que havia apenas um caminho, o de reconhecer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, o Messias. Ele disse que teríamos de concordar em discordar, mas a questão ficou registrada.
(Para um relato mais completo daquele tempo maravilhoso na Academia Hebraica, onde me foi dada muita liberdade para compartilhar as minhas convicções acerca de Cristo, leia o meu outro livro “Stepping Stones.”)
É minha triste convicção, após muitos anos como pastor, que muitas pessoas em nossas congregações não são diferentes daqueles alunos judeus. Têm conhecimento na cabeça, mas nenhuma experiência do Cristo vivo. Eles esperam (no sentido mundano, com as suas possibilidades negativas), mas nada sabem de “Cristo em vós, esperança da glória” (Colossenses 1:27). De fato, para tantos, a palavra ‘experiência’ evoca visões de emocionalismo e de carismáticos desregrados, e estão determinados a se resguardar de tais excessos.
Foi o ‘amado’ apóstolo João quem escreveu: “Estas coisas vos escrevi a vós que credes (com a cabeça?) no nome do Filho de Deus; para que saibais (com certeza interior?) que tendes a vida eterna, e para que creiais (com o coração?) no nome do filho de Deus” (1 João 5:13).
Ao longo de toda a sua carta, ele reafirma constantemente o experimentar da nossa fé. Escreve sobre ter comunhão com o Pai e saber que O conhecemos. Sabemos disso porque experimentamos o Seu amor e o Seu Espírito, testemunhando com os nossos espíritos que somos filhos de Deus.
A Fé Salvadora, dom de Deus, nos capacita a tocar o divino e abre um canal para que a vida possa fluir para dentro das nossas almas. O Espírito Santo comunica vida, e nascemos de novo. Somos batizados pelo Espírito no Corpo de Cristo e nos tornamos um com todos os outros naquele Corpo (1 Coríntios 12:13). O nosso crer com a cabeça torna-se um conhecer do coração; contudo, não passamos de bebês na fé e precisamos crescer.
Novamente, é minha triste convicção que grande parte dos crentes que nasceram de novo não avança muito além deste ponto de partida. Ainda precisam ser ensinados nos princípios da Palavra de Deus. Precisam de leite, não de alimento sólido. São inexperientes na palavra da justiça, pois ainda são crianças (Hebreus 5:11-14).
Na primeira carta de João, o idoso apóstolo apresenta - o que creio ser - uma vara de medir a maturidade cristã. Ele compara os seus leitores a crianças, jovens e pais (1 João 2:13-14). É interessante como ele se dirige a cada um destes três, pois não escreve àqueles que se enquadram cronologicamente nos grupos, mas espiritualmente. Conheci alguns jovens, homens e mulheres, que João descreveria como pais e mães na fé. Tristemente, ao contrário, conheci muitos crentes bem mais velhos, que estão na igreja há vários anos, mas que nunca avançaram além de crianças imaturas.
Jesus de fato disse que, a menos que nos tornemos como crianças pequenas, não podemos entrar no reino dos Céus; mas, uma vez que entramos pelo novo nascimento (João 3:3-36), Ele espera que cresçamos até a maturidade. Fico admirado com o quão infantis são tantos cristãos em sua imaturidade.
As criancinhas tiveram os seus pecados perdoados e têm um relacionamento com o Pai. Podem orar e desfrutar das bênçãos da comunhão, mas mostram poucos sinais de crescimento cristão. Tal pessoa pode ter qualquer idade cronológica, mas permanece infantil espiritualmente. Têm a fé salvadora, mas nada mais.
Um jovem é aquele que “venceu o maligno, sendo forte porque a palavra de Deus permanece nele” (1 João 2:14). Eles são ativos na batalha pela justiça; andam em vitória e passam a conhecer mais atributos de Deus.
Muitos crentes não têm consciência de que há uma batalha em andamento, e vivem suas vidas na ignorância das táticas de Satanás, que os roubam das alegrias e vitórias que deveriam ser suas. Outros sabem que há uma guerra, mas consideram que os adversários são Deus (ou Jesus) e Satanás. Sejamos claros quanto a isto - não há guerra alguma acontecendo hoje entre Jesus e Satanás - essa batalha foi travada na cruz há 2000 anos, e Jesus venceu!
“Havendo desarmado os principados e as potestades, publicamente os expôs em espetáculo, triunfando sobre eles nela” (Colossenses 2:15).
A batalha hoje é entre Satanás e nós. Isso assusta você? Não deveria, quando você percebe as táticas dele e sabe que o Senhor espera que você vença, porque “maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1 João 4:4).
Paulo podia dizer, com razão: “não ignoro os seus ardis” (2 Coríntios 2:11). Quantos de nós podem dizer o mesmo? O jovem pode, “sendo forte porque a palavra de Deus permanece nele” (1 João 2:14).
Um pai é aquele que é maduro, tendo passado pelos outros dois estágios. Chegou a “conhecer aquele que é desde o princípio” (1 João 2:14). Conhece o Eterno. Certamente este deveria ser o nosso objetivo: “Conhecê-Lo e fazê-Lo conhecido” (João 17:2 e Mateus 28:19-20).
Lembro-me de Moisés, que era conhecido como o amigo de Deus. Ele falava com Deus no monte Sinai e no tabernáculo, de modo que o seu rosto resplandecia, e o povo não podia suportar contemplar aquele brilho. Ele conhecia Deus intimamente; contudo, provar das coisas divinas só produz o desejo de provar mais, e assim o profeta faz um pedido a Deus, seu amigo.
“Ó Senhor,” ele clama, “rogo-te que me mostres a tua glória!” (Êxodo 33).
Deus diz que não pode revelar a Sua glória, pois isso certamente causaria a morte de Moisés; no entanto, Ele acrescenta um comentário impressionante.
“‘Moisés,’ disse o Senhor, ‘eu conheço o teu nome, portanto vou revelar-te o meu nome,’” e Ele passa a declarar-Se um Deus de misericórdia e graça, longânimo e abundante em bondade e verdade (Êxodo 3:13-15). Nos tempos bíblicos, o nome de uma pessoa falava do seu caráter, como se verá se você fizer um estudo dos nomes bíblicos.
Deus está dizendo que conhece o caráter de Moisés e, portanto, está disposto a revelar o Seu próprio caráter.
Você quer conhecer mais de Deus, Aquele que é desde o princípio, o Eterno? Ele quer fazer-Se conhecido a você, e Ele conhece o seu nome!
Como pode Ele fazer conhecido o Seu caráter se o seu nome é ‘infiel’, ‘hipócrita’, ‘duvidador’, ‘orgulhoso’, ‘fraco’, ‘enganador’ ou ‘infantil’?
Ele espera até que você cresça em maturidade, como o jovem cujo nome é ‘forte’, ‘vencedor’, ‘fiel’ e ‘homem de integridade’; então dá a conhecer mais de Si mesmo, para que você possa continuar amadurecendo até a estatura de um pai ou de uma mãe da fé.
Graças a Deus pelo Seu maravilhoso dom da fé salvadora, mas precisamos avançar rumo à maturidade da fé.
O Fruto da Fé “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio; contra estas coisas não há lei” (Gálatas 5:22-23).
Quando compramos a nossa primeira casa no Canadá, ficamos encantados por haver várias árvores frutíferas no jardim. Havia uma macieira, duas ameixeiras e duas cerejeiras; no entanto, ficaríamos desapontados quando chegou o verão, pois os frutos eram fracos. Decidi podar as árvores e, com um serrote em mãos, realizei a operação. Eu sabia pouco sobre podar árvores, exceto que é essencial abrir o centro da árvore ao sol e remover todos os brotos inúteis que drenariam os nutrientes vitais dos ramos que dão fruto.
Meus amigos disseram que, na minha ignorância da técnica correta de poda, eu havia cortado material em excesso e que agora as árvores certamente morreriam. No verão seguinte, observamos maravilhados enquanto cada uma das árvores produzia tanto fruto de qualidade que ficavam curvadas até o chão.
Lembro-me bem da noite em que Anne e eu nos sentamos no balanço do jardim, desfrutando do clima ameno de Ontário. Ouvimos um ruído estranho, logo seguido por outros ruídos semelhantes. Era como um longo gemido com um súbito “aahhh…” de alívio. Olhamos ao redor para ver se alguém perto de nós sentia dor. Imagine a nossa surpresa quando percebemos que o som vinha das nossas árvores frutíferas! Então vimos a razão do gemido.
Um dos ramos da nossa macieira estava inchando, e o gemido mostrava o esforço da árvore ao crescer. De repente, ouviu-se o som de alívio quando o inchaço rompeu e uma maçã saltou para tomar o seu lugar entre todos os outros belos frutos do ramo! As nossas cerejeiras e ameixeiras estavam se comportando da mesma maneira, embora o gemido delas tivesse um som diferente.
Evidentemente, as árvores estavam se esforçando tanto para nos agradar, produzindo o melhor fruto que podiam!
É claro que nenhum de vocês acreditaria nessa história. É tolice pensar que uma árvore pode produzir fruto pelo seu próprio esforço! No entanto, é exatamente isso que tantos crentes pensam quando se trata de ter o fruto do Espírito em suas vidas! De algum modo, não poderíamos ter o fruto da fé a menos que trabalhássemos muito para produzi-lo, tornando-nos mais espirituais!
O salmista Davi compreendia como o fruto espiritual é produzido e escreveu no Salmo 1:3 que “[a pessoa] justa é como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, que dá o seu fruto na sua estação.”
Tudo o que a árvore faz é permanecer ali! Ela abre os seus ramos ao sol, bebe a chuva e extrai a sua seiva do solo regado por baixo. Então a natureza da vida dentro da árvore produz o fruto apropriado. Da mesma maneira, o fruto espiritual é produzido.
À medida que permanecemos na videira - que é Jesus - os nossos corações se abrem para a ‘face resplandecente’ de Deus e bebemos das fontes do Espírito de Deus. Então o fruto - características da nova vida dentro de nós - é produzido em sua estação. Isso não acontece da noite para o dia. Leva tempo para amadurecer como cristão, exige disposição para ser podado, exige firmar-se sobre as promessas da Palavra de Deus e exige confiança constante. Não exige esforço!
Muitos crentes veem a si mesmos como árvores, mas passam muito tempo examinando-se em busca de evidências de fruto. Em vez de olhar ao longo dos ‘ramos’ para ver se há fruto evidente, estaríamos mais bem ocupados voltando os nossos olhos para o tronco da árvore, a fonte de todo o alimento que os ramos recebem. Faríamos melhor em voltar os nossos olhos para Jesus, a videira verdadeira na qual fomos enxertados. Então o fruto cresceria, e outros o veriam em sua estação.
É Ele quem produz o fruto da fé em todos os que permanecem Nele e, como a árvore do Salmo 1, bebem das correntes da água do Espírito Santo.
Compreendamos algo mais sobre todo o fruto do Espírito. Nós os associamos tão facilmente a características encontradas em todas as pessoas, mas eles só estão disponíveis para aqueles que nasceram de novo do Espírito. É Ele quem os produz em nós, e o não cristão nada pode saber a respeito deles!
“Ora, o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode conhecê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).
Assim, a paciência, por exemplo, tem pouco a ver com esperar pacientemente que o sinal de trânsito mude! Muitos incrédulos têm muito mais paciência do que os crentes! O mundo nada pode saber sobre o amor que é derramado no coração do crente, a alegria que permanece quando tudo à nossa volta vai mal, a paz em meio à tempestade. São fruto do Espírito que habita em nós, e riquezas apenas para o filho de Deus.
De modo semelhante, o fruto da fé só será evidenciado na vida do crente que amadurece.
Ao estudar esses nove frutos, cheguei à opinião de que eles se tornam mais exóticos ou raros à medida que avanço na leitura. Todo novo crente já experimentou algum gosto de amor, alegria e paz. Verdadeiramente, desde o momento do novo nascimento, muitos podem testemunhar que “o céu lá no alto é de um azul mais suave, a terra ao redor é de um verde mais doce; algo vive em cada matiz que os olhos sem Cristo jamais viram” (G Wade Robinson).
Então, com o passar do tempo, a alegria e a paz iniciais parecem ir embora, à medida que o Pai começa o processo de nos disciplinar para nos conformar à imagem do Seu Filho; contudo, enquanto permanecemos Nele, o fruto retorna em uma experiência mais rica e plena. No início, experimentamos o Seu amor nos dominando, mas agora o encontramos alcançando outros por meio de nós. A Sua alegria veio primeiro como um novo cântico em nossos corações, fazendo a vida parecer um novo dia, mas agora começamos a descobrir esse cântico brotando dentro de nós mesmo nas noites mais escuras.
A princípio, a Sua paz acalmava as tempestades que se agitavam em nossos corações, mas agora a Sua paz é uma profunda segurança em meio às tempestades da vida.
No crente que amadurece, começamos a ver mais do caráter de Jesus ao suportar o escárnio do mundo. A nossa paciência substitui a natureza rebelde do velho homem que um dia fomos, e descobrimos que não reagimos às situações difíceis como antes.
Já se disse que, se você quer ver a gentileza de Jesus, olhe para as Suas ações; se você quer ver a Sua bondade, olhe para as Suas atitudes. Assim, à medida que crescemos no fruto do Espírito, amadurecemos tanto em nossas ações quanto em nossas atitudes.
Então a vida de fé torna-se evidente quando o crente começa a andar em obediência aos impulsos do Espírito, vendo a mão do Senhor a conduzi-lo e guiá-lo. O homem manso é aquele que abriu mão dos seus próprios direitos e se submeteu inteiramente à vontade do Senhor. Ele é maleável e ensinável; moldável em um vaso apto para o uso do rei.
Finalmente, o mais raro dos frutos pode chegar. Este é o fruto pelo qual o apóstolo Paulo ansiava: o domínio próprio. Este é o ‘fazer morrer’ sobre o qual ele escreveu em Romanos 7:15-24. Ele reconhecia quão impossível lhe seria produzir esse domínio sobre o próprio eu, se não fosse pelo fato de que, por meio da obra da cruz, tal vitória é possível.
“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus me libertou da lei do pecado e da morte” (Romanos 8:1-2).
Tal fruto só vem do Espírito Santo que habita no crente, e o mesmo é verdade quanto à fé. Somente Ele pode produzi-lo; nenhum esforço meu servirá de nada!
Gostaria de propor um pensamento adicional sobre o fruto do Espírito.
A palavra “fruto” está no singular. Não são muitos frutos diferentes crescendo independentemente uns dos outros, mas um só fruto evidenciado de maneiras diferentes. Tem-se sugerido que os três primeiros (amor, alegria e paz) são uma experiência interior do Espírito Santo que habita no crente, ao passo que a segunda tríade (paciência, gentileza, bondade) é uma expressão exterior no modo como nos relacionamos com a humanidade ao nosso redor, e a última tríade (fidelidade, mansidão e domínio próprio) tem a ver com a nossa união com Deus.
O Dom da Fé “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum… a outro, fé, pelo mesmo Espírito…” (1 Coríntios 12:7, 9).
O terceiro tipo de fé que encontro na Bíblia chama-se o dom da fé. O apóstolo Paulo escreve à igreja de Corinto sobre os “charismata” (que se traduz do grego como “dons da graça”) dados pelo Espírito Santo à igreja. Há muitos desses dons listados para nós em Romanos 12 e 1 Coríntios 12, juntamente com os dons ministeriais nomeados em Efésios 4:11.
Os dons são dados a indivíduos, não para que se gloriem ou se orgulhem deles, mas para que sejam para o benefício de todos. Na verdade, os dons são dados à igreja, e os indivíduos são apenas os instrumentos que o Espírito usaria. É notável que, em todas as três referências mencionadas, Paulo também enfatiza a unidade do Corpo de Cristo. O propósito de todos os dons é capacitar a igreja a crescer em unidade, para que ela possa ter êxito em seu ministério de levar homens e mulheres ao Senhor.
Como, então, o dom da fé se evidencia em ação?
Imagine este cenário na reunião do Conselho de Presbíteros de uma igreja local. Acabou de ser feita uma proposta para iniciar um trabalho de extensão no bairro, a fim de tentar alcançar os jovens da comunidade que não frequentam nenhuma igreja. Reconhece-se que esta é a única igreja evangélica da região e que há um número crescente de jovens, desempregados e necessitados, formando gangues em busca de companhia.
Muitos membros da igreja expressaram as suas emoções, que iam da compaixão ao medo, e por isso a proposta foi feita.
Nem o pastor nem qualquer dos presbíteros têm a energia ou a habilidade para trabalhar com esses jovens adultos, de modo que se reconhece a necessidade de contratar um novo obreiro para a juventude. “Mas como o pagaremos e financiaremos este ministério?”
A pergunta é sincera, pois a igreja vem enfrentando dificuldades financeiras nos últimos anos. A resposta simples, e sempre há alguém que a dá, é que ‘devemos orar mais, e Deus proverá.’ Isso é verdade, contanto que seja o propósito de Deus iniciar o trabalho e contratar o obreiro da juventude. Mas como saber se este é o Seu propósito? Soa bem, mas há muitos programas que soam bem para nós e que, no entanto, nunca parecem receber a bênção de Deus.
Os presbíteros decidem aguardar quanto ao assunto, orar e reunir-se uma semana depois para tomar a decisão.
Enquanto entram na Sala do Conselho, imagine que você é uma testemunha invisível, capaz de ler os pensamentos na mente de cada homem. “Um a favor, um contra… dois a favor, três a favor, dois contra… quatro a favor, quatro contra… e o pastor…” Como poderiam eles chegar a algum acordo enquanto os jovens nas ruas continuam na sua perdição?!
Os homens começam com oração e então passam a compartilhar os seus pensamentos. De repente, um homem, que havia entrado como ‘contra’, se manifesta. “Quando entrei aqui esta noite, eu era da opinião de que este não é o momento de iniciar um novo trabalho; contudo, ao ouvir os argumentos a favor e contra, algo aconteceu dentro de mim e mudei de posição! Sei que o Senhor está nisto! Voto que devemos nomear um novo obreiro para a juventude!” Outros começam a falar e, em apenas alguns minutos, chega-se a uma decisão unânime. O que aconteceu?
Não apenas cada homem ouviu o que os outros diziam, mas, por serem homens que genuinamente buscavam a vontade de Deus, ouviram-No falar em seus espíritos. Ele plantou dentro de cada um deles fé para crer. Isso é o dom da fé.
Embora as dificuldades financeiras fossem reais, Ele lhes deu uma fé que venceu as circunstâncias. Pode ter sido apenas um ‘grão de mostarda’ (Marcos 4:30-32), mas, por ter sido plantada em seus espíritos pelo próprio Deus, a montanha deles seria removida. Tal fé sempre é recompensada com a bênção de Deus. Tal fé sempre remove montanhas!
Vi o dom da fé em ação várias vezes. Vi pessoas fazendo grandes coisas para Deus quando todos ao seu redor achavam impossível. Elas deixaram de olhar para as circunstâncias porque conheciam o impulso Dele.
Tive um querido amigo chamado Yorrie Richards, que certa vez gaguejava tão gravemente que lhe era impossível dizer uma simples frase. Ele veio a conhecer o Senhor quando enfrentava um julgamento por furto. O juiz do processo advertiu-o de que “o caminho que você escolheu seguir bem pode terminar na forca”. Toda a cidade sabia do seu passado no crime, e muitos eram céticos quanto à sua conversão.
Algum tempo depois, Yorrie e eu nos reencontramos, e ele me sugeriu a coisa mais impossível. Ele queria reservar o salão principal de sua cidade natal e pregar o evangelho a todos aqueles que o haviam conhecido na juventude e que tinham sido tão incrédulos. Eu o aconselhei contra tal empreitada, pois certamente nos causaria muito constrangimento e dificilmente traria algum bem ao evangelho. Ele insistiu que o Senhor havia posto isso em seu coração, e ele cria que era a direção Dele.
Reservamos o salão e divulgamos a reunião. Após as apresentações, coloquei-me à parte, e Yorrie encarou a sua plateia. Ele imediatamente começou a gaguejar, e senti-me constrangido por ele. Mal conseguia me forçar a ouvir.
Então um estranho silêncio caiu sobre a sala, à medida que a voz de Yorrie se tornava mais controlada e ele começava a falar com autoridade e confiança, contando o que o Senhor havia feito. Muitas lágrimas foram derramadas naquela noite, quando Deus operou um milagre entre nós, porque um dos seus ‘fracos e loucos’ havia respondido ao Seu dom da fé. Muitos milhares por toda a Grã-Bretanha e o Canadá podem testemunhar hoje da pregação ungida de Yorrie Richards.
Assim, apresento a você os três tipos de fé: a fé salvadora, o fruto da fé e o dom da fé.
O que imediatamente me impressiona é que os três encontram a sua fonte em Deus, não no crente! Não há nada que eu possa fazer para produzir fé em mim, portanto, por favor, não me diga para ‘ter mais fé’ quando você me vir doente ou em luta na minha caminhada cristã. O que preciso desenvolver é mais confiança, não fé.