Capítulo 1 · 2 min de leitura
Samuel Crowther: O Menino do Navio Negreiro
Quando Samuel Crowther era menino na África, ele não se chamava Samuel. Seu nome era Ajayi, e ele vivia numa cidade chamada Osogun, na terra do povo iorubá, no que hoje é a Nigéria. Ele tinha uma mãe, irmãos e irmãs, e um lar que amava.
Numa manhã terrível, quando ele tinha cerca de doze anos, invasores atacaram a cidade. Puseram fogo nas casas e levaram as pessoas amarradas com cordas, para serem vendidas como escravos. Ajayi foi arrancado dos braços de sua mãe. Foi vendido uma vez, e depois outra, e outra, até que por fim o empurraram para dentro de um navio lotado que atravessaria o mar. Abaixo do convés, tudo era escuro e quente e cheio de gente assustada. Ele achava que nunca mais veria seu lar, nem o céu.
Mas Deus não havia esquecido o menino na escuridão. Lá no mar, um navio britânico veio navegando atrás deles. Seus marinheiros caçavam navios negreiros e libertavam os cativos. Alcançaram o navio de Ajayi, quebraram as correntes e levaram as pessoas libertas para uma cidade chamada Freetown, em Serra Leoa, onde elas podiam começar uma vida nova.
Em Freetown, Ajayi fez algo que nunca lhe haviam permitido fazer antes: foi à escola. Ele revelou-se um aluno maravilhoso. Absorvia a leitura e a escrita como a terra seca absorve a chuva. Quando foi batizado como cristão, recebeu um nome novo — Samuel Crowther —, mas nunca esqueceu Ajayi, nem o seu povo, nem a língua que falavam.
Essa última coisa tornou-se a grande obra de sua vida. Samuel ouvira a boa nova de Jesus em inglês. Mas o seu próprio povo, os iorubás, não sabia ler inglês. Então Samuel sentou-se e começou o trabalho longo e paciente de passar a Bíblia para a língua iorubá, palavra por palavra, para que as mães, as crianças e os anciãos de sua terra pudessem lê-la por si mesmos. Ele ajudou a pôr por escrito a língua iorubá pela primeira vez.
Samuel cresceu e tornou-se ministro e, então, em 1864, aconteceu algo que jamais havia acontecido antes: ele foi feito bispo — o primeiro bispo africano de sua igreja. O menino que fora vendido acorrentado agora conduzia outros a seguir Jesus, e o fazia como africano, orgulhoso do povo de onde vinha.
Samuel Crowther poderia ter crescido amargurado por tudo o que lhe haviam feito. Em vez disso, passou a vida dando ao seu povo o maior presente que ele havia recebido: as palavras de Deus, na língua de casa.
Capítulo 1 concluído
Samuel Crowther: O Menino do Navio Negreiro